Dormir as horas necessárias é um privilégio de poucos
07 outubro 2009
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É um dos grandes prazeres da vida. Dormir as horas necessárias para recuperar da azáfama diária. Mas, com os dias que correm, esse prazer é um privilégio de poucos…

 

São inúmeros os estudos que associam o não se dormir bem e/ou o não se dormir as horas suficientes a problemas de saúde. As consequências de não ter (e manter) as horas de sono necessárias são múltiplas e vão desde uma maior probabilidade de desenvolver patologias cardiovasculares à diabetes de tipo 2.

 

Em Janeiro deste ano, um estudo publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) por cientistas da Carnegie Mellon University, nos EUA, veio acrescentar mais uma doença ao extenso rol dos problemas associados à falta de sono. Num estudo em que foram avaliados os hábitos de sono de 153 mulheres e homens saudáveis, com uma idade média de 37 anos, foi verificado que quem dormia menos de sete a oito horas por noite era cinco vezes mais susceptível a constipar-se. A explicação prende-se com o facto de o dormir, por rotina, menos horas do que as necessárias provocar uma diminuição das defesas do sistema imunitário, originando múltiplas infecções.

 

Na verdade, para além de perturbar a vida familiar, profissional e social das pessoas, por contribuir para a irritabilidade, falta de concentração e consequente quebra da produtividade, uma rotina de sono desadequada é perniciosa para a saúde.

 

Nessa matéria, poderemos dizer que os portugueses não estão muito bem cotados em termos de higiene de sono. Um estudo publicado pela revista “Teste Saúde”, da DECO (Associação de Defesa do Consumidor), em 2004, revelava que metade dos portugueses dorme mal e que apenas 19% têm consciência do problema. O mesmo inquérito ainda revelou que mais de metade (59%) dorme menos horas do que necessita e 56% sofrem de sonolência todos os dias. Um aspecto particularmente preocupante foi o facto de um em cada cinco inquiridos afirmar acontecer-lhe, com alguma frequência, estarem tão sonolentos que seria possível adormecer… ao volante.

 

As causas mais apontadas pelos inquiridos para uma má noite de sono foi o stress e a ansiedade, sendo os problemas de trabalho e familiares outras causas referidas. E, se em Portugal já não se dormia bem antes da crise financeira que desde 2008 atinge o país, a situação parece ter piorado.

 

Segundo um estudo publicado em Março, encomendado pelos laboratórios farmacêuticos Lundbeck e realizado pela empresa britânica YouGov junto de 6.694 pessoas maiores de 18 anos em sete países da Europa, entre os quais Portugal, os portugueses são, a seguir aos polacos, os que pior têm dormido nos últimos 12 meses, com 75% dos inquiridos a admitirem esse facto. Mais, 42% dos portugueses dizem mesmo que a qualidade do seu sono se deteriorou devido à crise económica. Nos restantes países, essa proporção oscila entre os 18 e 25%.

 

O estudo foi realizado através de inquéritos online, sendo que, em Portugal, participaram 500 pessoas. Além de Portugal e da Polónia, os inquéritos foram feitos no Reino Unido, França, Alemanha, República Checa e Hungria.

 

Como medidas para enfrentar os problemas de sono, os inquiridos falam do uso de medicação (por exemplo, 8% dos polacos), de chás de ervas e medicamentos sem receita médica (por exemplo, 31% dos checos) e do consumo de álcool (por exemplo, 14% dos britânicos).

 

Pesando tudo isto, não é descabido reforçar as mensagens que a Associação Portuguesa dos Amigos da Sesta têm divulgado na imprensa. Por que não as empresas criarem espaços de lazer onde os funcionários possam relaxar e, até, passar pelas brasas?

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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