Crianças felizes, adultos saudáveis
29 abril 2009
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As crianças portuguesas ocupam o 21º lugar, em 29 países europeus, no que diz respeito ao ranking de felicidade. A Holanda situa-se num afortunado primeiro lugar.

 

Existem poucas coisas que nos provoquem tanta alegria como ver crianças contentes. O bem-estar e felicidade das suas crianças é o sonho de qualquer pai equilibrado e deveria também ser o objectivo de todos os governantes.

 

Para avaliar o grau de felicidade das crianças europeias, o Child Poverty Action Group (CPAG - uma organização britânica que combate a pobreza infantil) solicitou um estudo à Universidade de York. Os dados recolhidos em 2006, e agora divulgados, tiveram em conta 43 critérios, entre os quais mortalidade infantil, obesidade, recursos materiais (pobreza e habitação), relativos a crianças e jovens com menos de 19 anos.

 

Os resultados tornados públicos na semana passada colocam Portugal no 21º lugar em quatro das sete categorias principais: Saúde, Bem-estar, Recursos materiais e Educação. Estes quatros critérios em que Portugal pontuou mal estão assinalados a vermelho na tabela. As Relações interpessoais e Habitação e Ambiente encontram-se assinaladas a amarelo. A única categoria assinalada a verde diz respeito a Comportamentos de risco, em que Portugal está na 9ª posição. Em oposição, no primeiro lugar encontra-se a Holanda, que lidera incontestavelmente a tabela, tendo obtido os melhores resultados em todas as sete categorias.

 

Na verdade, esta não é a primeira vez que estudos nacionais e internacionais indicam um baixo grau de felicidade das crianças portuguesas. Uma análise do Instituto de Economia e Gestão, publicado no ano passado, revelou dados preocupantes sobre a vida das crianças que habitam nos arredores de Lisboa (Amadora e Loures).

 

O estudo inquiriu cinco mil crianças e detectou que a maioria tem um jantar incompleto, não comendo sopa, prato principal e fruta. Também se detectaram casos de jovens que vão para a escola sem o pequeno-almoço.

 

Segundo os dados revelados, nestes conselhos regista-se um grande número de famílias carenciadas, com cinco ou mais filhos e com pais desempregados.

 

Parece não ser necessário apresentar provas de que as privações de ordem emocional e financeira na infância e adolescência podem conduzir a graves problemas de saúde na vida adulta. Contudo, os dados científicos são sempre importantes para confirmar crenças do senso comum.

 

Daí que sejam relevantes os resultados de uma investigação, publicada este mês na revista especializada "British Journal of Psychiatry", que envolveu 7,1 mil pessoas nascidas entre 1950 e 1955 e que cresceram na cidade de Aberdeen, na Escócia.

 

O trabalho, liderado pelos cientistas do King's College de Londres, concluiu que as crianças descritas pelos professores como "infelizes" ou "angustiadas" tinham uma probabilidade cinco vezes maior de sofrer de incapacidade que as impedisse de trabalhar devido a problemas de saúde, nomeadamente depressão, quando chegassem à meia-idade.

 

Por isso, assegurar que as nossas crianças são felizes não significa apenas que estamos a contribuir para criar adultos mais completos, mais aptos para lidar com as complexidades da vida. Significa também que as crianças de hoje se transformarão em adultos saudáveis. E este facto tem consequências económicas que não podem, no mundo de hoje, ser ignoradas por nenhum governante.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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