Ciclo menstrual influencia resultado da mamografia
28 dezembro 2010
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As mulheres que fazem mamografias regulares devem tentar marcar os exames para a primeira semana do ciclo menstrual, de modo a tornar o rastreio mais preciso. O aviso vem publicado na revista “Radiology” e resulta de uma análise dos resultados de mamografias, realizadas a 387.218 mulheres na fase pré-menopausa, sendo que, destas, 1.283 mamografias revelaram cancro da mama.

 

Para o estudo, os investigadores, liderados por Diana Miglioretti, do Group Health Research Institute, EUA, tiveram em conta os diferentes momentos do ciclo menstrual, quando a densidade mamária é diferente. A necessidade do estudo foi motivada pelo facto de a mamografia ser um meio de detecção de cancro em mulheres na faixa etária dos 40 anos. Contudo, estas mulheres, em comparação com as mulheres mais velhas, têm um maior risco de apresentarem resultados falso-negativos (não ser possível ver um tumor que está presente) ou de falso-positivos (quando são solicitados mais exames para confirmar um tumor que não está presente).

 

Sabe-se, também, que as mulheres mais jovens têm um tecido mamário mais denso, facto que torna os tumores mais difíceis de detectar na mamografia, mas, por outro lado, outros estudos também têm relacionado o facto de se ter um tecido mais denso a um maior risco de cancro da mama. Neste estudo, os investigadores, sabendo que a densidade mamária varia ligeiramente com o ciclo menstrual, quiseram verificar o impacto desta sobre a sensibilidade dos resultados da mamografia.

 

Da análise, os cientistas verificaram que entre as mulheres que tinham realizado uma mamografia nos últimos dois anos, a detecção de cancro da mama, numa fase mais precoce da doença, foi maior entre aquelas que foram submetidas ao exame durante a primeira semana do ciclo menstrual. Os números apontaram que, nesta fase do ciclo menstrual, foi possível ao médico ver, através da mamografia, a presença de tumores em 80% dos casos. Noutras semanas do ciclo, a sensibilidade do exame variou de 67 a 73%, deixando, assim, mais tumores invisíveis nas mamografias.

 

Contudo, a taxa de mamografias com resultados “falso-positivos”, que significa que a mamografia parece revelar um tumor que, na realidade, não está presente, não foi afectada pela fase do ciclo menstrual da mulher. Os falso-positivos podem levar, desnecessariamente, à realização de testes posteriores, nomeadamente a biopsia, para verificar a presença ou não de tumores, tornando-se penoso para as mulheres ao serem submetidas a testes desnecessários, bem como pelo facto de representar uma sobrecarga para o sistema de saúde.

 

As actuais recomendações são de que as mulheres com idades entre os 50 e os 74 realizem mamografia de rastreio a cada dois anos, mas, as que apresentam risco de cancro da mama, com familiares directos que tenham sido atingidos pela doença, devem iniciar o rastreio mais cedo. Tal como contou a líder da investigação, em entrevista dada à imprensa, embora a dose de radiação dos exames seja consideravelmente baixa, o uso da mamografia pode aumentar ligeiramente o aparecimento de tumores. “Mas para as mulheres com mais de 50 anos, os benefícios superam os riscos. Mas isso já não é verdade para as mulheres com menos de 40, a menos que tenham factores de risco muito fortes para o cancro da mama, tais como uma forte história familiar ou mutações nos genes BRCA1 ou 2 (que indicam uma forte probabilidade de cancro da mama)”.

 

De qualquer modo, os médicos advertem todas as mulheres de qualquer idade, que tenham verificado a presença de um nódulo na mama ou qualquer outra preocupação, para procurarem o médico rapidamente e para não esperarem pelo ciclo mais propício para agendar a mamografia.

 

Paula Pedro Martins

jornalista

 

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