Cães, gatos, crianças e alergias
18 Junho 2010
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Alguns pais têm receio que o contacto com os animais de estimação possa potenciar problemas respiratórios nos seus bebés, mas, estudos recentes têm vindo a demonstrar que a proximidade com os bichos desde tenra idade aumenta as defesas do sistema imunitário. Contudo, para as crianças crescidas alérgicas ou com alto risco de desenvolverem asma, ter um bicho de estimação pode já ser tarde para lhe conferir imunidade.

 

São vários os estudos que se propuseram a verificar se existia ou não uma relação entre o convívio com animais de estimação, nomeadamente cães e gatos, e o desenvolvimento de problemas respiratórios, incluindo as alergias, rinites e a asma.

 

Embora a sociedade actual, de raízes sobretudo urbanas, se tenha convencido de que as crianças não devem estar em contacto com os animais por estes amigos de quatro patas poderem transmitir doenças e potenciar alergias, os resultados das investigações actuais contrariam essa ideia.

 

Um dos estudos mais recentes, publicado em 2008 no “European Respiratory Journal”, concluiu o contrário dos argumentos esgrimidos por muitos pais para não deixarem os seus bebés tocarem em animais.

 

Um estudo alemão, liderado por Joachim Heinrich, do Helmholtz Zentrum, de Munique, seguiu 9 mil crianças desde o nascimento e até aos 6 anos. Foi verificado que as crianças que coabitavam com cães e gatos eram menos susceptíveis de desenvolver doenças respiratórias.

 

Do total de crianças, submeteram apenas 3 mil a análises de sangue para despistar a presença de anticorpos específicos de uma "sensibilização alérgica", uma resposta imunitária diferente de uma alergia declarada. Todos os pais responderam a um longo questionário sobre a vida familiar.

 

O estudo verificou que as crianças que partilhavam a casa com um cão durante a primeira infância (do nascimento até aos 6 anos) não apenas não apresentavam “sensibilização específica aos pêlos de cão", como também "a presença de um cão em casa estava claramente associada a uma taxa significativamente mais fraca de sensibilização aos pólenes e às alergias inaladas".

 

Contudo, o efeito protector não foi observado nas crianças que apesar de contactavam regularmente com cães, não os tinham em casa.

 

Um outro estudo, publicado em 2001 no “Journal of the American Medical Association” (JAMA), tinha já comprovado estes dados, mas apresentado informações mais surpreendentes: que o contacto com os bichos não só não provoca alergia, como pode, de facto, diminuir o risco de se ficar alérgico. Neste trabalho, a equipa liderada por Dennis R. Ownby, do Medical College of Georgia Section of Allergy and Immunology, nos EUA, verificou que as crianças que crescem com cães e gatos dentro de casa aprestavam uma redução significativa, cerca de 50%, no desenvolvimento das alergias comuns.

 

Para o estudo, os médicos acompanharam um grupo de 474 bebés saudáveis desde o nascimento até os 7 anos: 184 crianças partilharam desde a infância o dia-a-dia com 2 ou mais animais de estimação (cães e gatos) e outras 220 pertencentes a um grupo de controlo cujas crianças não foram expostas a animais.

 

Além de terem verificado que as crianças expostas aos animais desenvolveram 50% menos alergias comuns quando comparadas com o grupo de controlo, os estudo também apurou que os meninos com animais de estimação apresentavam menos irritação nas vias aéreas, um factor de risco para a asma. A reactividade foi baseada na reacção das vias aéreas a estimulantes químicos.

 

Durante o estudo, cerca de 7% das crianças desenvolveram asma, número que, segundo os cientistas, está dentro da média nacional.
 

A razão pela qual o contacto com os cães e os gatos aumenta as defesas do sistema imunitário contra as alergias deve-se ao facto de, através da convivência, os animais passarem aos seus pequenos donos endotoxinas de bactérias Gram negativas, presentes, por exemplo, na saliva dos cães e gatos.

 

Os resultados deste estudo põem em evidência o que os especialistas chamam de "hipótese da higiene", uma teoria que defende que crescer em ambientes hiper higienizados fragiliza a acção do sistema imunitário, que como não entra em contacto com contaminantes, leva-o a reagir em excesso quando se confronta com os alergénios. O contacto com microrganismos fortalece o sistema imunitário, criando uma espécie de vacina natural.

 

Esta pode muito bem ser uma das razões que explicam o facto de vários estudos terem verificado que as crianças que moram na cidade apresentarem índices mais elevados de alergias do que aquelas que moram no campo.

 

Voltando ao caso dos animais, nestes dois estudos, os cientistas aconselham os pais a basear a decisão de ter um animal de estimação apenas no desejo da família, e não no facto deste convívio diminuir as probabilidades de o bebé vir a ter problemas respiratórios. Aliás, reforçam o facto de os estudos ainda não terem verificado, de facto, como funciona o mecanismo que leva a esta aparente protecção do intrincado mistério das alergias.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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Comentários 1 Comentar

alergia em crianças

é realmente concordo c/ essas pesquisas, pq tenho 2 filhos pequenos q. nunca tiveram um animal de estimação e sempre fizeram tratamentos p/bronquite, e agora meu filho de 7 anos teve 2 crises de asma pela 1*vez, pois parece q. os tratam. não foram m. eficaz p/ele, então resolvi adotar um gatinho o qual vive no colo deles, faz 15 dias, e agora???? será q. meu filho vai melhorar ou piorar????

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