A felicidade do “efeito fim-de-semana”
25 fevereiro 2011
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Quer sejam operários da construção civil, secretárias, médicos ou advogados, as pessoas têm um melhor humor, mais vitalidade e menos dores entre sexta-feira à noite e domingo à tarde, fenómeno que os especialistas chamam “efeito fim-de-semana”.

 

Esse efeito, dizem os cientistas num estudo publicado no “Journal of Social and Clinical Psychology” – o qual avaliou a variação diária do humor em adultos empregados - está associado com o tempo que as pessoas passam com os familiares e à liberdade de escolha das actividades que podem ser exercidas durante os fins-de-semana.

 

“Os trabalhadores, mesmo aqueles com empregos interessantes e de alto estatuto são, realmente, mais felizes no final de semana", assegurou, em comunicado, o líder do estudo, Richard Ryan, professor de psicologia na Universidade de Rochester, EUA, destacando a importância do tempo livre para o bem-estar do indivíduo.

 

"Longe de ser frívolo, o tempo relativamente irrestrito dos finais de semana oferece oportunidades cruciais de ligação com os outros, explorando interesses e o relaxamento – necessidades psicológicas básicas que as pessoas devem ter o cuidado de preservar para não se excederem no trabalho", explicou ainda o investigador.

 

Para avaliar o estado de humor, os investigadores solicitaram a 74 adultos, que trabalhavam pelo menos 30 horas semanais, para que respondessem às mensagens que lhe iriam ser enviadas. Durante três semanas, os participantes receberam mensagens de forma aleatória durante o dia, uma vez de manhã, outra à tarde e por último à noite.

 

Na resposta, os voluntários deveriam descrever as actividades que estavam a realizar, usando uma escala de um a sete para mostrar sentimentos positivos como felicidade, alegria e prazer que estavam a sentir. Outros sentimentos físicos, como ansiedade, dores, problemas digestivos, doenças respiratórias, ou baixa energia também eram levados em consideração.

 

Os resultados mostraram que tanto os homens como as mulheres se sentem melhor no fim-de-semana. E não importa o estado civil, o ordenado que auferem ou a idade. Para descobrir exactamente porque os fins-de-semana são tão benéficos para a saúde física e mental, os investigadores mediram as respostas diárias dos entrevistados quanto aos factores: sentirem-se controlados ou autónomos no momento; se estavam a sentir-se competentes nas suas actividades e se sentiam próximos de outras pessoas.

 

E se, durante a semana de trabalho, as pessoas vivem actividades repletas de controlo, de pressões e de exigências, além de passarem muito tempo com colegas com quem podem ter fracas relações emocionais, no fim-de-semana, o panorama é completamente o inverso. Por isso, como era de esperar, os fins-de-semana foram associados a uma maior autonomia e proximidade com outras pessoas, mas, surpreendentemente, foi também durante esse período de lazer que os entrevistados se sentiam mais competentes nas suas actividades laborais.

 

De acordo com os investigadores, os resultados do estudo podem ser muito proveitosos, se utilizados por especialistas, na criação de ambientes de trabalho que potenciem o bem-estar dos empregados, conduzindo, deste modo, a uma maior produtividade laboral.

 

Paula Pedro Martins
Jornalista

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