A culpa da infidelidade masculina é da testosterona
08 janeiro 2010
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Os altos níveis de testosterona têm sido apontados como os principais responsáveis pela infidelidade no homem. Este mês, duas investigadoras lançaram livros onde acrescentaram mais algumas pistas para que compreendamos melhor o comportamento do sexo masculino.

 

Uma maior produção de testosterona tem sido associada, em vários estudos científicos, com o aumento da actividade sexual, infidelidade e conflitos conjugais.

 

Num livro publicado este mês pela editora Lidel, com o título “Química do Amor e do Sexo”, a autora, Madalena Pinto, professora de Química Orgânica e Química Farmacêutica e Medicinal na Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, afirma que, de facto, os “homens com menor tendência para o casamento, ou com maior tendência para o adultério, ou ainda com maior propensão para o divórcio, demonstram frequentemente um nível médio e alto de testosterona”.

 

A autora investigou a forma como o organismo humano produz moléculas e como estas estão associadas a fenómenos emocionais ou a comportamentos sócio-emocionais" e concluiu, nomeadamente, que “existem componentes - como as hormonas e os neuroquímicos - que justificam, por exemplo, que após o sexo o homem queira dormir e a mulher prefira ser mimada”.

 

Essa opção pelo sono após o sexo, que a mulher pode interpretar como uma forma de rejeição, não é, afinal, mais do que “um efeito de algumas substâncias químicas cerebrais”, explicou a investigadora à agência Lusa.

 

Um estudo publicado, no ano passado, na revista “Hormones and Behavior” foi também bastante esclarecedor ao relacionar uma maior produção de testosterona com homens solteiros.

 

Para a investigação sobre os níveis hormonais, foram avaliados homens que habitavam nas zonas rurais do Senegal: 21 homens polígamos com filhos, 32 pais monogâmicos e 28 homens solteiros sem filhos.

 

O estudo, conduzido pela antropóloga Alexandra Alvergne, da Universidade de Montpellier, em França, verificou que não importava quantas esposas tinham: os homens com filhos tinham menores níveis de testosterona do que os homens solteiros. Mais.
 

Entre os pais, aqueles que apresentavam maiores níveis de testosterona tendiam a investir menos tempo nas suas mulheres e filhos.

 

Na prática, este estudo leva-nos a pensar que o corpo humano é de tal modo inteligente que tem a capacidade de alterar o volume de produção de substâncias perante mudanças de vida, neste caso, a paternidade.

 

A investigadora Madalena Pinto salienta, no entanto, que a componente hormonal não é a única explicação de uma maior propensão para a infidelidade, havendo outros componentes envolvidos, tais como genéticos, psicológicos, ambientais ou educacionais.

 

Opinião mais radical tem a psicóloga francesa Maryse Vaillant, que recentemente lançou o livro "Les hommes, l'amour, la fidélité" ("Os homens, o amor, a fidelidade"). No livro, que tem causado polémica em França, a psicóloga – uma das especialistas mais reputadas no país – afirma que a maioria dos homens precisa do "seu próprio espaço" e que, para eles, "a infidelidade é quase inevitável", sendo até benéfica para o casamento.

 

"Os pactos de fidelidade não são naturais, mas culturais (…) e a infidelidade é essencial para o funcionamento psíquico de muitos homens que não deixam, por isso, de amar as suas mulheres", refere a psicóloga que é divorciada há 20 anos, tal com refere o artigo publicado pelo jornal britânico "Daily Mail".

 

A parte mais desconcertante desta teoria ocorre quando Vaillant denomina os homens que não têm casos extraconjugais como portadores de "uma fraqueza de carácter". De acordo com as suas palavras, os homens fiéis são pessoas cujo "pai era física ou moralmente ausente, (…) que têm uma visão completamente idealizada da figura do pai e da função paternal, (…) que não têm flexibilidade e que são prisioneiros de uma imagem idealizada das funções do homem".

 

Uma opinião bastante radical e que nem sequer se apoia na questão química abordada por muitos investigadores.

 

Depois de todas estas considerações e explicações sobre a infidelidade masculina, poderíamos pensar que não existe infidelidade feminina. Mas não é o caso. Por exemplo, no inquérito “Saúde e Sexualidade”, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, divulgado em 2008, dos 3.643 indivíduos inquiridos sobre a saúde e a sexualidade, com idades entre os 16 e os 65 anos, 12% da população inquirida a viver em casal refere ter tido outros parceiros sexuais nos últimos cinco anos (16,9% dos homens e 7,1% das mulheres).

 

Face a esta realidade feminina, menos expressiva do que a masculina, é verdade, assalta-me uma questão: será que as mulheres casadas que são infiéis também terão uma maior produção de determinadas hormonas que as impelem a esse comportamento? A ciência elucidar-nos-á um dia sobre isso.

 

Paula Pedro Martins
jornalista

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