in DCI – Jornal de Negócios, Agosto de 2011
Digitalização das famosas fichas médicas melhora a detecção de doenças e agiliza processos médicos no País
O que é mais importante do que a vida de alguém? Essa pergunta me veio à cabeça após ler um estudo publicado recentemente pelo Journal of Political Economy, publicação acadêmica da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, milhares de bebês poderiam ser salvos todo ano se os hospitais tivessem em seus bancos de dados todas as informações médicas sobre os pequenos, desde a fase fetal, em prontuários médicos eletrônicos. Somente nos Estados Unidos, o número de hospitais que apostam nessa tecnologia cresce 10% ao ano.
Não temos dados que demonstrem qual é esse índice no Brasil, mas sabemos – por experiência própria – que o País é um dos que mais busca soluções na área de saúde. Embora não tenhamos um grande número de hospitais com o prontuário eletrônico em funcionamento, vemos claramente que apostar na tecnologia para salvar vidas e agilizar o atendimento dos pacientes pode ser um dos grandes diferenciais das instituições de saúde. Mas muitos devem estar se perguntando: como funciona um prontuário eletrônico e qual sua vantagem em relação às tradicionais fichas médicas?
O prontuário eletrônico é um software que integra todas as áreas de saúde de um hospital ou de uma clínica médica e permite registro e consulta de todo histórico médico e informações do paciente. O sistema interage com os profissionais de saúde e até mesmo com o próprio usuário por meio de um equipamento com tecnologia touch screen - telas sensíveis ao toque, provendo em tempo real, conteúdos clínicos relevantes para todos os envolvidos no atendimento.
Nos últimos meses, dois grandes centros médicos implantaram com sucesso esse sistema. O Hospital da Beneficência Portuguesa de São Paulo, uma das maiores instituições privadas da América Latina, instalou o protocolo eletrônico da ALERT, que atua em mais de 40 hospitais no Brasil. Com ele foram identificadas melhorias no dia-a-dia do Pronto Atendimento e diagnósticos mais ágeis e efetivos. De acordo com dados do referido complexo hospitalar, em 2011, foram registradas melhorias nos primeiros meses de utilização do sistema, na detecção de diarréia e gastroenterite de origem infecciosa. As infecções agudas das vias aéreas superiores também puderam obter um melhor tratamento com a rápida avaliação da ficha médica. Já a Santa Casa de Misericórdia de Passos, instituição localizada em Minas Gerais e que atende 70% de seus pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), informatizou toda sua gestão clínica do seu departamento de urgência.
E por que não usar essas inovações a favor da saúde? Todo mundo só tem a ganhar. O hospital é beneficiado com sistemas mais aprimorados e capazes de solucionar rapidamente a necessidade do paciente. O médico tem a ganhar, pois será mais ágil e preciso ao realizar um diagnóstico e ministrar um tratamento. O paciente ganha na certeza de que será atendido com agilidade, presteza, qualidade, assertividade, rapidez e segurança. E a natureza também ganha, pois ao implantar um prontuário eletrônico, a instituição de saúde dá um passo significativo na direção da sustentabilidade, pois elimina a impressão, utilização e arquivamento de centenas de folhas de papel.
Por fim, tudo isso no faz voltar à pergunta do início deste artigo: O que é mais importante do que a vida de alguém muito querido? Ajude a salvar vidas. Use o prontuário eletrônico.
(*) Luiz Brescia é diretor geral da ALERT, multinacional portuguesa com forte presença no Brasil e especializada na gestão de ambientes clínicos e hospitalares
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