sonhos lucidos

Boas

Lembro-me que aqui há uns anos eu tinha sonhos lúcidos. Com muita facilidade encostava-me no sofá, entrava num sono muito leve pois ainda me apercebia do que se passava á minha volta, e começava a sonhar, estando ciente disso e controlando o desenrolar do sono. Lembro-me também que conseguia controlar o acordar muito facilmente.

Já há uns anos que não tenho esta experiência e confesso que tenho saudades.

Isto dos sonhos lúcidos é considerado um distúrbio? Pela experiência que tive pareceu-me ser positivo para o aspecto psicológico, pois básicamente podemos passar por qualquer experiência que queiramos.

RE: sonhos lucidos

Não acredito em disturbio, alias acredito que quem teve uma experiencia com um sonho lúcido consegue sentir que não existe nada de anormal. Já tive várias experiencias e também tenho saudade das mesmas. Toda noite espero repetir o controle do sonho para poder voar mais um pouco ou visitar lugares interessantes ...

Certa vez durante um sonho em uma floresta, resolvi voar até a copa de algumas arvores, e resolvi descobrir se conseguia sentir as folhas e a textura do tronco ... para minha surpresa durante o sono, pude sentir a aspereza da casca do tronco e a leveza das folhas ... fiquei feliz e começei a voar mais alto e sentir o vento no rosto e nos cabelos ... excelente sensação. Acordei mais disposto e feliz.

RE: sonhos lucidos

Durante o sonho lúcido, a consciência vígil é transportada para o inconsciente. Isso é muito positivo pois permite um contato direto com o universo interno. Além do mais, durante essa experiência, o sonhador está na quinta dimensão da natureza. Alguns imbecis se pronunciam contra os sonhos lúcidos. São ignorantes e não sabem o que dizem. Afirmam que são perigosos, diabólicos etc. Tudo isso se deve a que tais pessoas resistem violentamente ao desenvolvimento da consciência humana. Não querem que ela alcance uma etapa superior de desenvolvimento. Escrevo uma monografia sobre o assunto na COGEAE da PUC-SP. Se quiserem saber mais me escrevam. Estou disposto a dar orientação e ajudar como puder. Meus escritos se referem principalmente à parte prática dessa modalidade de experiência psíquica: como alcançá-la, as dificuldades, como superá-las, a utilidade etc.

RE: sonhos lucidos

Durante o sonho lúcido, a consciência vígil é transportada para o inconsciente. Isso é muito positivo pois permite um contato direto com o universo interno. Além do mais, durante essa experiência, o sonhador está na quinta dimensão da natureza. Alguns imbecis se pronunciam contra os sonhos lúcidos. São ignorantes e não sabem o que dizem. Afirmam que são perigosos, diabólicos etc. Tudo isso se deve a que tais pessoas resistem violentamente ao desenvolvimento da consciência humana. Não querem que ela alcance uma etapa superior de desenvolvimento. Escrevo uma monografia sobre o assunto na COGEAE da PUC-SP. Se quiserem saber mais me escrevam. Estou disposto a dar orientação e ajudar como puder. Meus escritos se referem principalmente à parte prática dessa modalidade de experiência psíquica: como alcançá-la, as dificuldades, como superá-las, a utilidade etc.

RE: sonhos lucidos

O problema da dinâmica usual do sono e como superá-la

Cleber Monteiro Muniz
Em 4/3/01
(divulgação livre autorizada desde que citado o autor)

A dinâmica usual do sono tem a fascinação da consciência pelos pensamentos como meio de dispensar a identificação da consciência com o corpo físico.
Essa dinâmica consiste na substituição da identificação com o corpo pela identificação com as imagens mentais. Isso ocorre porque o sono exige um esquecimento corporal para se instalar. Se estivermos identificados com o veículo físico, não dormimos e não adentramos ao reino onírico. Esse é o motivo de, por exemplo, ficarmos meio insones quando temos dores físicas.
Se nos mantivermos identificados com o corpo, estaremos identificados com os sentidos externos. Isso nos retém a existência psíquica no mundo exterior. A solução encontrada pela natureza foi desligar as exopercepções por meio das endopercepções em estado fascinatório, ou seja, fazer com que fiquemos identificados com os pensamentos a ponto de esquecer corpo e mundo físicos reais. No lugar da atenção identificada com o corpo, passamos a ter a atenção identificada com as imagens mentais, que são os pensamentos. Essa é a dinâmica psíquica usual do sono, sem a qual não é possível adormecer o corpo na cama.
É essencial para o sono a não-identicação física pois ele é o esquecimento do corpo e do mundo, um leve estado de quase-morte muito superficial e natural. Ocorre, entretanto, que esse processo de substituição de identificações apenas o instala e nos leva ao mundo onírico mas não nos fornece o discernimento de que isso ocorre.
A inexistência de identificação com o corpo é útil para a instalação do sono mas não fornece nenhum tipo de consciência. A identificação com imagens mentais, por sua vez, provoca um esquecimento de que se está em contato com cenas não-físicas e faz com que adentremos às regiões internas acreditanto estar em contato com imagens externas. O resultado disso é o sonho usual, no qual não existe a consciência de estar do outro lado da nossa vida. As imagens mentais, num estágio mais profundo do sono, se transformam em imagens oníricas e, ao contatá-las sem a compreensão desse teor, ficamos polarizados no extremo do sono: o corpo e a consciência dormem simultânea e paralelamente um ao outro.
Para se carregar a consciência para dentro do sonho é preciso algo mais do que a não-identificação com o veículo físico (embora esta seja indispensável) e o contato com as imagens internas. A elas precisamos acrescentar a consciência do caráter psíquico dessas imagens. Essa consciência é a compreensão de que as cenas não são do mundo externo e pertencem ao mundo interior.
A partir do momento em que nos deitamos, temos que ter bem clara a idéia de que dali em diante, nos próximos instantes, todas as cenas que visualizaremos serão oníricas. Se essa recordação for esquecida, cairemos no sonho usual.
A chave é conseguir uma síntese entre o despertar e o adormecer. Precisamos de um estado que contenha simultaneamente o adormecimento e o alerta, que sintetize esses dois elementos contrários. Essa combinação não é fácil e exige que se ative a consciência ao mesmo tempo em que se desative o corpo: aquela acorda e este adormece. A dificuldade está na idéia comum e muito arraigada em nossa cultura de que estar acordado é fazê-lo por meio das exopercepções. Acreditamos que estar alerta é sempre o mesmo que estar com os sentidos físicos ativos. Essa idéia é parcialmente verdadeira pois é válida apenas para o estado vígil do corpo físico. Entretanto, fora desse estado também podemos manter a lucidez.
Em situações normais, a tentativa de ficar desperto bloqueia o sono. Por isso é preciso aprender a relaxar o corpo profundamente e a entrar em contato com as imagens psíquicas sem esquecer que estamos fazendo isso.
A antecipação do sono corporal à lucidez psíquica é principal agente sabotador dos sonhos lúcidos. Identificados com a vontade de dormir, nos esquecemos de discernir e dormimos sem saber onde estamos entrando. Isso acontece principalmente quando estamos cansados e queremos rapidamente deixar o mundo externo. Nesses casos, abandonamos totalmente o alerta psíquico e nos entregamos ao sono física e psiquicamente. A consciência adormece até mesmo antes do corpo. Por isso não conseguimos sonhos lúcidos.
O ideal é anteciparmos à lucidez ao sono. Antes de deixarmos o corpo cair em relaxamento profundo, a consciência precisa ser ativada ao máximo. Isso exige cuidado especial em não se confundir alerta com sobressalto, tensão ou ansiedade. Trata-se de um alerta natural e tranquilo, sem preocupações de nenhum tipo e sem nenhum querer. Não se pode adormecer o corpo se ficarmos querendo que ele adormeça e não se pode ficar alerta se também ficarmos querendo isso. Ao querermos que isso ocorra, nos identificamos com esse desejo e fracassamos, seja por ficarmos insones, seja por dormimos em estado conscientivo usual. Esse querer é egóico e caprichoso: o ego quer controlar a prática e impor sua vontade. Os processos psíquicos não se submetem a isso e se rebelam.
Uma forma de deixar a identificação com o corpo, antecipar a lucidez ao sono, não bloquear o processo letárgico corporal e ao mesmo tempo manter o discernimento de estar em contato com imagens internas é a concentração. Por meio dela, a consciência do que se está fazendo é mantida e se acompanha todo o processo em estado de lucidez. Por isso muitas culturas, inclusive as religiosas, a usam para induzir experiências oníricas desse tipo. O objeto da concentração varia conforme a época e o lugar: mantrans, orações, imagens agradáveis, cenas oníricas passadas etc. O único que interessa é ter um grande poder de concentrar o pensamento. Concentrar o pensamento é reduzir todos os pensamentos a apenas um. Isso se consegue prestando atenção em uma única imagem e excluindo as demais, esquecendo-as. Deve-se desenvolver mais e mais a imagem escolhida, sem adotar nenhum limite para isso (Jung apud Sanford, 1987, pp. 158-159). Por este meio chega-se ao sono corporal profundo sem perder a consciência. É preciso mergulhar na imagem mental escolhida, cair dentro dela sem nenhum medo e a ela entregar-se de modo total e com plena lucidez. Temos que observar o que estamos fazendo, perceber que estamos começando um sonho, que a imagem não é física etc. Temos que saber o que está acontecendo apenas por meio das constatações diretas e sem raciocinar a respeito, inclusive nos casos ou situações em que as coisas não estão claras. Combate-se a confusão com atenção lúcida e não com raciocínios.
Um erro muito grave é confundir a concentração com um esforço egóico. Semelhante confusão promove um conflito entre um ego que quer se concentrar e muitos outros egos dentro da pessoa que não querem aquilo. Na verdadeira concentração, não há esse conflito por que o papel da consciência não é impedir que os múltiplos pensamentos ocorram mas apenas prestar atenção em único pensamento e isso é diferente. O único que precisamos fazer é focar e manter a atenção em uma imagem escolhida esquecer as demais, deixando-as à vontade em suas respectivas regiões internas para se processarem. Há uma diferença radical entre prestar a atenção em um elemento psíquico escolhido entre muitos que se movem e impedir esses muitos de se moverem. O que nos interessa é apenas uma imagem entre as milhares que se movem ininterruptamente em nossa mente. As demais devem ser esquecidas. Querer silenciá-las não é esquecê-las e lembrar delas. Com a recordação elas se nutrem mais e mais porque a recordação traz identificação.
A experiência onírica consciente resulta naturalmente da atenção cuidadosa e despreocupada.

Referência bibliográfica:

 SANFORD, J. A. Os Parceiros Invisíveis: o masculino e o feminino dentro de cada um de nós.(The Invisible Partners). Trad. de I. F. Leal Ferreira. 5ª edição. São Paulo, Paulus, 1987.