O derradeiro desafio

Não me parece que adiante muito tentar discutir o significado da morte e o que está para além da mesma.

Pessoalmente assusta-me muito a hipótese de ser o fim e ser tudo balelas o que apregoam as religiões.

O que me parece, acima de tudo, é que a morte é o derradeiro desafio da medicina. O envelhecimento, a degeneração do nosso corpo, o ficarmos mais frágeis com o tempo é algo para o que mais cedo ou mais tarde, se há-de criar uma cura (esperemos que seja o mais cedo possível, pode ser que agora com as novas descobertas a nível de genes...).

Já imaginaram que bom seria vivermos sem o fantasma de sabermos que vamos morrer por volta dos 80 (se tudo correr bem)?

Para já acho que isso ia tornar a vida mais calma, ou seja, não havia aquela pressa de saír da escola, trabalhar, subir na vida, enriquecer depressa para termos dinheiro quando chegar-mos a velhos. Provavelmente isso ia-se reflectir em todo o nosso estilo de vida.

Quem devia ficar realmente contente era o estado, pois já não tinha que pagar mais reformas, hehehe!

Resta-nos esperar para ver e tentar não pensar no assunto para manter a sanidade mental, não podemos fazer mais do que isso.

RE: O derradeiro desafio

No meu entender, ter a morte em consideração durante a vida talvez nos ajude a viver melhor, a aproveitar o tempo de outra maneira.

Quanto aos avanços da Medicina, eu creio que será, de facto, possível prolongar a vida significativamente (digamos, em 30 anos) dentro de 100 anos e não me surpreenderia se aqueles que nascerem em 2500 viverem 300 anos.

Para tal, poderão vir a ser utilizadas manipulações genéticas numa forma semelhante a vacinas, em que um grande número de pessoas previne o envelhecimento de alguma forma numa idade precoce.

No entanto, julgo que será difícil que algo de francamente revolucionário- que venha a aumentar a esperança média de vida daqueles que já são adultos em 20 anos ou mais- aconteça durante a nossa vida, creio eu.

Isto depende da terapêutica genética e da compreensão do processo de envelhecimento. Já foram identificados genes que são responsáveis pela duração da vida em minhocas e em leveduras. Será agora preciso compreender como é que eles funcionam, descobrir os genes correspodentes em humanos, interferir com a sua função eficazmente, etc.

Até lá, há maneiras de prolongar a vida: conduzir devagar, comer saudavelmente, não fumar, fazer exercício, etc.

É mesmo difícil de prever onde a Medicina nos vai levar em termos de duracção de vida e o melhor é viver saudavelmente para tirar proveito do progresso.

No meu entender, pensar na morte também é uma atitude saudável porque, como já disse, ajuda a pôr as coisas em perspectiva.

Doutor M. Jorge Guimarães

RE: O derradeiro desafio

Sempre julguei (talvez erradamente) que o sentido da medicina seria sempre, não a cura, mas o bem estar - o viver bem!
Isto é, a medicina acabaria se não existissem doenças, tanto são necessárias as doenças como os remédios (etimologicamente - remediar).
Por isso, a medicina, julgo eu, não deveria tentar atingir o record de anos de vida (300?!?!), mas sim descobrir os remédios para que o tempo de vida seja passado o melhor possivel, mesmo que seja curto - a visão deve ser qualificativa e não quantitativa, para quê viver 300 anos mal, se podemos viver 70 bem e morrer como os passarinhos?
A morte, tal como o nascer, faz parte do mesmo todo hegeliano, aceitar nascer é assinar o morrer, mas o morrer saudável, sem sofrimento - será tão belo como chorar depois de vir ao mundo.
Afinal, não podemos ser egoistas - existem mais seres há espera da sua vez para fazer das suas, neste mundo.

Pedro Miguel Silva

Viver bem

Caro Pedro Miguel Silva,

O objectivo da medicina é, sem dúvida, aumentar a qualidade de vida das pessoas e não aumentar a duracção da vida para 300 anos.

No entanto, no decurso do esforço de melhorar a vida das pessoas, surge um sinal dessas melhorias na forma do aumento da esperança de vida e da evolução positiva noutros índices não menos importantes. Nomeadamente, na diminuição da mortalidade infantil, na incidência de determinadas doenças infecciosas, etc.

Quando me referi ao provável aumento da duracção da vida, disse-o na convicção da possibilidade de prolongar a vida activa e não apenas a existência.

O facto que referiu- de haverem outras pessoas à espera- é uma afirmação interessante que nos ajuda a pôr as coisas em perspectiva e, talvez, a justificar a nossa existência. Como alguém disse, o facto de existirmos é um milagre, bastando para tal ter em consideração as possibilidades alternativas na altura da fecundação.

Talvez sejamos verdadeiras cautelas-premiadas-viventes.

Um abraço,

M. Jorge Guimarães

RE: O derradeiro desafio

Porque razão não podemos ser egoístas,se em
média as pessoas que o são, têem a vida mais facilitada? Se acreditar-mos que tudo se resume a nascermos vivermos e morrermos qual será essa vantagem de:não sermos egoístas?

RE: O derradeiro desafio

o mundo para alem desta vida existe certamente!nao fikes a pensar na palavra morte,mas sim pensa q é um corte ao cordao umbilical.Pk razao ca estou? so mesmo para provar q sou capaz de existir no outro lado....lembra-te q a morte é simplesmente uma separaçao entre o corpo fisico e o corpo psicologico.ta provado cienfificamente q a alma(corpo fisico) tem peso apesar de nao se ver.............

RE: O derradeiro desafio

Gostaria que me explicasse qual é e onde está a prova científica a que se refere quando diz que a alma (corpo físico?) tem peso apesar de não se ver

RE: O derradeiro desafio

concordo consigo, maria olveira e penso que é o nosso medo que nos leva a especular e a crer noutras etapas. Provas realmente onde estão?

Sobre o fundamento do medo da morte

Subjacente ao afã de descobrir meios de burlar a morte há um terror, um medo horrível de um processo natural.
O medo de morrer se deve à ignorância. O homem ocidental, polarizado violentamente na extroversão, tem a consciência condicionada de modo a perceber apenas o extremamente denso. Não atentando para sua própria limitação, supõe, mais ou menos inconscientemente, que a matéria não existe sob formas sutis e ultra-sutis.
Aqueles que sabem lidar com os sonhos corretamente, viajando em seu respectivo mundo com plena lucidez, compreendem, por experiência direta e sem nenhum recurso ao misticismo, ao fanatismo, à superstição ou à crença, que psique existe na ausência do funcionamento corporal. Há vários graus de defunção e o sono é apenas o inicial. Isso significa que aquele que dorme em sua cama é, temporaria e levemente, um defunto.
A exigência de provas a respeito disso é justa porém precisa ser feita corretamente. Normalmente, os mais ignorantes exigem provas tridimensionais de fenômenos cuja natureza é tetradimensional ou pentadimensional. Isso é manifestamente ridículo. Como poderia um cego exigir provas da existência das estrelas? Seria preciso primeiramente socorrê-lo, brindando-lhe com a faculdade da visão. Os materialistas possuem um funcionamento equivocado do entendimento e exigem provas de natureza diversa à do fenômeno investigado.
Temos que aprender com as culturas antigas, orientais e primitivas a arte de sonhar e morrer. Aprendendo corretamente a sonhar, nos preparamos para o último sono, o sono final da nossa existência, no qual a defunção, no nível físico, é total e irreversível. Esse último sono se chama morte!
Felicidades a todos e pensem no que eu disse. Se quiserem saber mais me escrevam.

elcritico escreveu:
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Não me parece que adiante muito tentar discutir o significado da morte e o que está para além da mesma.

Pessoalmente assusta-me muito a hipótese de ser o fim e ser tudo balelas o que apregoam as religiões.

O que me parece, acima de tudo, é que a morte é o derradeiro desafio da medicina. O envelhecimento, a degeneração do nosso corpo, o ficarmos mais frágeis com o tempo é algo para o que mais cedo ou mais tarde, se há-de criar uma cura (esperemos que seja o mais cedo possível, pode ser que agora com as novas descobertas a nível de genes...).

Já imaginaram que bom seria vivermos sem o fantasma de sabermos que vamos morrer por volta dos 80 (se tudo correr bem)?

Para já acho que isso ia tornar a vida mais calma, ou seja, não havia aquela pressa de saír da escola, trabalhar, subir na vida, enriquecer depressa para termos dinheiro quando chegar-mos a velhos. Provavelmente isso ia-se reflectir em todo o nosso estilo de vida.

Quem devia ficar realmente contente era o estado, p....

RE: Sobre o fundamento do medo da morte

Caro Cleber Monteiro Moniz,

O que diz carece de demonstração.

O cego não precisa de pedir a demonstração da existência das estrelas porque sabe da sua limitação. Tem olhos que não vêem e todos lhe dizem o que há para ver.

Quanto ao sono, pode ser visto como um processo de organização de ideias e pensamentos e não como um período de morte em vida.

No entanto, vejo alguns méritos na introspecção.

Um abraço,

M. Jorge Guimarães

RE: Sobre o fundamento do medo da morte

Amigo Jorge

Realmente o que digo não é demonstrável, assim como não o são muitos outros fenômenos aceitos pela ciência. As partículas subatômicas, as anãs marrons recém descobertas, a matéria escura, os sonhos, as emoções e os primeiros organismos unicelulares que surgiram no passado também não são, em si mesmos, demonstráveis. Sabemos de suas existências por via indireta mas nem por isso duvidamos delas. A não demonstrabilidade não é motivo para desconsideração de um fato. Indo mais a fundo, percebemos que a percepção de uma consciência polarizada extrovertidamente é limitada. Devido ao condicionamento provocado pela supervalorização do externo, aquilo que é sutil passa a ser visto como inexistente. Por outro lado, pessoas hipersensíveis psicologicamente sabem que o mundo interior é real por terem contato direto com o mesmo via endopercepção.
É interessante buscar a demonstração. Entretanto, há momentos em que ela é impossível. Isso ocorre em dois casos:

1)Quando o fenômeno não existe.

2)Quando o fenômeno existe mas é inacessível às percepções usuais dos cientistas.

O segundo caso é o que nos interessa. Os acontecimentos intra-oníricos são diretamente acessíveis apenas ao próprio sonhador. Aqueles que estão fora do sonho podem saber muito pouco a respeito do que é experimentado.
Comparo o sonho com a morte devido à incontestável similaridade que há entre ambos ( e sei que você, como homem inteligente que é, não negará isso). A morte, o coma, o desmaio e o sono são análogos. O que difere é o nível de profundidade que estes fenômenos apresentam. Se você analisar relatos da tanatologia, poderá constatar o que digo. Isso não significa que a morte, o sono e demais fenômenos mencionados sejam exatamente idênticos, uma só e mesma coisa, sinônimos. Afirmar isso seria insensato e ridículo. Mas, apesar da grande diferença de profundidade entre eles, apresentam similaridades ou analogias que ninguém poderia negar sem se expor ao ridículo. Tais similaridades correspondem à redução ou estancamento total das seguintes funções:

1)exopercepções
2)movimentos corporais
3)batimentos cardíacos
4)frequência respiratória

Devem existir mais funções que sofrem desaceleração porém não conheço muito a respeito dessa parte biológica. Mas se procurarmos sei que as encontraremos.
A defunção é pois, verificável com maior ou menor profundidade em todos os casos a que me referi. A defunção é a supressão total ou parcial de funções.
Se você aprender a desligar sua consciência do corpo físico e concentrá-la no sonho, descobrirá, como muitas pessoas que analisei, que é possível manter-se lúcido, íntegro e acordado em pleno sono. Saberá que seu corpo dorme na cama e que você está em um mundo sutil dentro de você. Descobrirá que pode continuar vivo enquanto sua forma densa carnal tem suas funções atenuadas e, algumas vezes, até paralisadas.
Exigir demonstração exterior direta de um fenômeno interno é supervalorizar a visão e demais sentidos exteriores, acreditando que são onipotentes e que nada pode lhes escapar. É também acreditar que são adequados para a investigação de todos os fenômenos e ser acrítico com relação à limitação desses sentidos. Eles são bons, úteis e necessários mas não divinos, infalíveis e imparciais. Captam a parte mas não o todo. Temos que ser críticos inclusive com relação a eles.
Diferentemente da maior parte dos cegos, os cientistas conservadores não sabem de sua limitação. Acreditam-se ilimitados.
O fato do sono ser um processo de organização de idéias e pensamentos (palavras suas) não impede que seja, ao mesmo tempo, um superficial período de morte em vida (idem). Entre ambas asseverações não há incompatibilidade pois não se excluem e nem se anulam. É precisamente durante a pseudo-morte ou a pequena morte diária que as idéias são organizadas.
Agradeço-lhe muito pelas observações que fez. Elas contribuiram para que meu trabalho se tornasse mais amadurecido pois aperfeiçoei mais um pouco esse ponto da demonstração. Se ainda encontrar falhas lógicas, por favor, as envie. Ficarei agradecido.

Tudo de bom para você e parabéns pelo seu trabalho.

Cleber
othna@terra.com.br

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