Notícias

Comente estas notícias.

Primeira quimioterapia oral disponível em Portugal

Foi apresentado oficialmente no passado dia 24 de Março, no Palácio Foz em Lisboa, a primeira quimioterapia oral para o tratamento do cancro cólorectal avançado. Trata-se da capecitabina cuja formulação oral evita que os doentes tenham de se deslocar frequentemente ao hospital para receber o tratamento tradicional administrado por injecção intrevenosa.

Paulo Cortes, médico oncologista do Hospital de Santa Maria, considera este um dos grandes benefícios do tratamento. A sua formulação permite ao doente levar uma vida mais activa na medida em que pode efectuá-lo na sua própria casa sem ter que se dirigir ao hospital. Esta é também uma vantagem para os serviços nacionais de oncologia, hoje sobrecarregados em consultas.

Em termos nacionais são diagnosticados anualmente cerca de 4 mil novos casos de cancro do cólon e recto, hoje considerado o tipo de cancro do aparelho digestivo que mais mata em Portugal e a segunda causa de mortalidade por doença oncológica.

Mundialmente surgem todos os anos 700 mil novos casos de cancro do colón sendo que 150 mil são detectados na Europa. Esta patologia contribui para um número de 60 mil óbitos por ano e é considerada terceira causa de neoplasia maligna no homem e a segunda causa de neoplasia maligna na mulher.

A capecitabina, não é um agente citostático em si. Só depois de ser absorvida pelo organismo é que se transforma num agente anticanceroso, activado apenas pelas células tumorais e actuando sobre as mesmas.

Tendo em conta os resultados obtidos nos ensaios clínicos iniciais, o Comité para Aconselhamento de Medicamentos Oncológicos (ODAC) recomendou, em 1998, à U.S. Food and Drugs Administration (FDA) a aceleração do processo de homolgação do capecitabina. As autoridades europeias autorizaram a introdução em todos os países da União Europeia no início deste ano.

Fonte: Dept. Health Care da D&E/ Shandwick

Contraceptivos orais diminuem o risco de cancro

O uso de contraceptivos orais parece conferir alguma protecção contra o cancro colorrectal, segundo o que foi hoje noticiado no “British Jornal of Cancer”.

Foram elaborados 19 estudos nesta área que concluíram que as mulheres que tomam a pílula têm uma redução de cerca de 18% do risco de desenvolver este tipo de cancro, em comparação com as mulheres que usam outro método contraceptivo que não a pílula.

O estudo comparativo final divulgado hoje, foi dirigido pelo Dr. Carlo La Vecchia, do Instituto Farmacológico de Milão (Itália) e seus colaboradores franceses e espanhóis.

Estes investigadores esperam que este novo achado possa contribuir para o desenvolvimento de novas formas de tratamento para o cancro colorrectal, ou de conseguir explorar melhor as propriedades anti-cancerígenas da pílula.

Já há muito tempo que se suspeitava que os factores hormonais tivessem um papel importante no desenvolvimento deste tipo de carcinoma.

A equipa de cientistas descobriu ainda que este efeito anti-cancerígeno é ainda mais potente nas pílulas da nova geração, e que o mesmo potencial não está relacionado com a duração da toma dos contraceptivos orais.

O estudo incluiu também a participação de mulheres com idades compreendidas entre os 55 e os 60 anos, que tomaram a pílula entre as décadas de 60 a 80, embora se desconheça qual o tipo de pílula que estas mulheres tomavam.

O estudo não permitiu concluir qual o mecanismo que relaciona a toma da pílula com a diminuição do risco de desenvolver carcinoma colorrectal, no entanto surgiram várias teorias sobre este tema.

Segundo os investigadores:” Pode ser que as mulheres fiquem protegidas contra este tipo de cancro através da síntese e secreção da bílis, o que faz com que as concentrações de ácidos biliares no cólon sejam menores”.Admitem ainda que outros mecanismos biológicos possam estar envolvidos, pois constataram que os estrogénios inibem o crescimento das células cancerosas “in vitro”, e que os receptores celulares dos estrogénios estão presentes no cólon, tanto nas células normais como nas células malignas.

“A mortalidade causada pelo desenvolvimento de cancro colorrectal nas mulheres sofreu uma queda considerável nos últimos vinte anos, e por isso consideramos que estes números possam estar relacionados com a toma da pílula. No futuro, se estes dados se vieram a confirmar, poderemos vir a desenvolver novos tratamentos para o cancro, ou novas qualidades anti-cancerígenas da pílula”, afirma o Dr. La Vecchia.

Segundo o Professor Gordon McVide, presidente da Campanha de Investigação Contra o Cancro do Reino Unido. “Estes resultados mostram que as mulheres podem possuir uma armo secreta contra uma doença que mata 46 pessoas por dia no Reino Unido. Pode ser que no futuro os investigadores consigam aumentar o potencial anti-cancerígeno da pílula, para assim combater o segundo cancro mais mortal no Reino Unido”.

Fonte: Reuters