Notícias

Notícias para comentar na área da nutrição:

Vitamina C e qualidade de vida

2 de Março, 2001

Um estudo realizado por cientistas britânicos vem, mais uma vez, confirmar
que a alimentação é um factor muito importante na vida das pessoas. Os
autores do trabalho correlacionaram a quantidade de vitamina C ingerida com
a probabilidade de morrer de qualquer causa.

Concluíram que o risco de morte era de metade nos indivíduos que
apresentavam os mais elevados níveis sanguíneos de vitamina C, em relação
àqueles que tinham os níveis mais baixos.

Descobriram, por exemplo, que apenas uma dose extra de fruta ou legumes na
dieta das pessoas implicava uma redução de 20% na probabilidade de morte por
qualquer causa, independentemente da idade do indivíduo, pressão sanguínea,
colesterol e diabetes assim como os seus hábitos de fumar ou de tomar
suplementos.

A líder da equipa que realizou este estudo afirmou que não será a vitamina
C, por si só, a responsável pelo menor risco de morte. Em vez disso, a
vitamina C será um indício de que as pessoas fazem uma dieta equilibrada,
rica em fruta e legumes, e têm estilos de vida saudáveis.

A quantidade de vitamina C na corrente sanguínea é um bom indicador da
quantidade de frutas e legumes ingeridos e é um antioxidante que circula no
sangue, ligando-se e desactivando radicais livres que, de outro modo,
poderiam danificar o DNA.

Estes estudo vem juntar-se a muitos outros que relacionam a vitamina C com
uma vida mais longa e uma melhor saúde. Além disso, sugere que são muito
importantes os nossos hábitos alimentares.

Adaptado por
Helder da Cunha Pereira
MNI ­ Médicos Na Internet

Fonte: Reuters Health

"Fome impulsiva" e as emoções

5 de Março, 2001

Um grupo de investigadores franceses realizou um estudo acerca do chamado
food craving, aqui denominado fome impulsiva. Este fenómeno é definido como uma forte vontade ou desejo de comer um dado alimento ou tipo de alimento.

Este estudo contemplou 538 mulheres e 506 homens e envolveu um inquérito sobre os seus hábitos alimentares e períodos de fome impulsiva, relacionando-os com o estado de espírito da pessoa na altura da ocorrência
destes desejos. As pessoas consideradas como sofrendo de fome impulsiva foram aquelas que sentiam um desejo forte de comer um tipo de comida pelo menos uma vez por semana, durante 6 meses. O relatório foi publicado na
edição de Março do International Journal of Eating Disorders.

Foram observadas mais de o dobro de ocorrências de fome impulsiva nas mulheres (28%) em relação aos homens (13%), disseram os investigadores. Afirmaram ainda que, apesar dos resultados não estarem correlacionados com o peso da pessoa, estavam fortemente relacionados com as preocupações de peso do inquirido.

Os inquiridos, em particular as mulheres, que sentiam fome impulsiva estavam mais vezes preocupados com dietas, restringiam a sua alimentação, tinham peso instável, sentiam-se mais frequentemente demasiado pesada(o)s e desejavam perder peso.

Um resultado interessante foi o facto de os investigadores terem descoberto diferenças na relação entre fome impulsiva e a disposição das pessoas, entre os dois sexos. A maioria das mulheres que sofria de fome impulsiva estavam mais deprimidas durante o dia e era uma disposição negativa, como um
aborrecimento ou um estado deprimido, que despoletava o desejo de comer. Os homens sentiam esse apelo quando estavam bem dispostos.

Os investigadores afirmam poder haver várias explicações para este facto. Afirmaram que estas diferenças podem ser devido à maior preocupação da mulher com o seu peso e aparência. A pressão social para o emagrecimento pode levar essas pessoas a restringirem a sua dieta para perderem peso. Como foi observado que este fenómeno estava relacionado com fenómenos de fome
impulsiva, esta pode ser uma explicação, dizem.

Outra explicação poderá ser a de que as mulheres tenham uma relação diferente entre estado de espírito e vontade de comer. No entanto estas relações são muito complexas e difíceis de entender, avisam os especialistas. Neste estudo a vontade de comer estava relacionada com um "desejo" e não uma "necessidade" o que mostra a forte influência de factores psicológicos nos hábitos alimentares.

Um outro dado relevante é que os sujeitos que afirmavam ter fome sentiam desejo de comer comidas salgadas (que pode significar que o organismo necessita de uma refeição) enquanto que outros afirmaram sentir desejo de comer coisas doces.

Fonte: Reuters

Atenção ao mercúrio na tintureira e peixe espada

31 de Maio
Peixe nacional é bom, mas...

A maioria do peixe capturado em águas nacionais apresenta um bom grau de frescura, mas algumas espécies como a tintureira e o peixe-espada podem conter níveis de mercúrio superiores ou próximos aos limites estabelecidos.

Estas são duas das conclusões de um estudo elaborado por um grupo de investigadores do Instituto de Investigação das Pescas e do Mar.

Os níveis de mercúrio detectados na tintureira, comercializada em algumas regiões sob a forma de filetes e no
peixe-espada preto, recomendam um consumo moderado tendo em conta as doses semanais admitidas pelo ser humano.

Mais: http://www.lusa.pt

Margarinas podem ser uma das causas do aumento de asma nas crian

Um estudo sugere que o aumento no consumo de margarinas ricas em gorduras polinsaturadas pode ser uma das causas do aumento da incidência de asma nas crianças. O número de casos de asma em crianças quase duplicou nos últimos dez anos nos países desenvolvidos.

No entanto os cientistas advertem que estas conclusões são ainda preliminares e muitos estudos têm ainda de ser feitos para confirmá-las. Por isso avisam que as crianças não devem alterar as suas dietas imediatamente, uma vez que não sabem se isso iria ou não diminuir a incidência e severidade da asma. Eles acreditam que o aumento dos casos de asma nas crianças nos países desenvolvidos é devido a uma combinação de factores, e nunca a um só, podendo ser o aumento da ingestão de gorduras polinsaturadas um deles.

A fisiologia desta possível relação passa pelo facto das gorduras polinsaturadas conterem níveis elevados de ácidos gordos ómega-6, que induzem a produção de Prostaglandina E2, um composto que provoca inflamação nos tecidos. Este aumento de inflamação está relacionada com a asma. Uma dieta com alto teor destas gorduras leva a um menor consumo de ácidos gordos ómega-3 que, por seu lado, inibem a produção da Prostaglandina E2 e que, portanto, protege do processo inflamatório.

As margarinas e óleos vegetais ricos em polinsaturados tornaram-se populares devido ao facto de se pensar prevenirem doenças do coração.

A equipa australiana avaliou os hábitos alimentares e historial clínico de mais de 1000 crianças da zona rural da Austrália. Com surpresa, os investigadores constataram que o consumo elevado de gorduras polinsaturadas mais que duplicava a probabilidade de ocorrência de asma nas crianças. Os investigadores estimam que, baseados nos resultados obtidos, cerca de 17% dos casos de asma nas crianças são devidos ao consumo elevado de gorduras polinsaturadas.

Helder Cunha Pereira
MNI – Médicos Na Internet

Fonte: New Scientist