Nome em desuso

A sindrome bipolar é erradamente chamada hoje em dia de maníaco-depressiva. Esse nome já caiu em desuso. Se, para peritos no assunto, o nome não faz diferença, para leigos faz muita. Deviamos esforçar-nos por chamar o nome correcto, porque afecta o modo como as pessoas mal informadas encaram quem sofre de síndrome bipolar.
Se eu disser a alguém conhecido que sofro de síndrome bipolar sinto que me é dado muito mais respeito e compreensão do que se disser que sou maníaco-depressiva.
A verdade é que a maioria das pessoas associa a palavra «maniaco» a alguém perigoso e louco.
Na realidade «maníaco» vem da fase de «mania» que em quem sofre desta sindrome pode ocorrer - altura em que ao contrário do estado depressivo nos sentimos excessivamente eufóricos, felizes, e sempre com razão. (e daí o novo nome -bipolar, emoções extremas)
Eu, apesar de hoje em dia saber o que significa «maníaca», não me sinto confortável com esse nome.
Queria também salientar que esta síndrome está muito mais relacionada com as emoções do que as outras. Ou seja, é um disturbio emocional, não mental. Daí que não sei se se continua a considerar uma psicose!
Por fim, parabéns e obrigada por terem começado este forum, já mostra iniciativa e compreensão, assim como ajuda a divulgar o que é realmente esta síndrome.

RE: Nome em desuso

De facto nada tem a ver um nome com outro. Só é de lamentar que os médicos ortodoxos, limitarem-se a atenuar os sintomas para ir provocando outros, pois é muito mais rentável ir mantendo as pessoas doentes do que lhes resolver as origens do problema. E nós ( regra geral ) acomodamo-nos a isso . Se visitar http://mundoalimentar.blogspot.com/ , concerteza que talvez compreenda o que quero dizer.

Alzheimer

Tenho um pai com doença de Alzheimer, eu sou paraplégico, tenho uma amiga também é bipolar.Estou um pouco por dentro de tudo.É preciso muita força de vontade,não podemos desistir.Tchau.

RE: Nome em desuso

Ana, tenho muita pena que este forum fique estagnado principalmente acerca de um tema que me diz tanto, uma vez que sou bipolar. Concordo plenamente contigo quanto ao tipo de estigma e carga exageradamente patológica que vêm associados à designação maniaco-depressivo. Aliás e como posso supor a tantos como eu que se consideravam pessoas normalíssimas alguém, que nem sequer era conhecido, rotulou-me desse modo. É maniaco-depressiva. Prescreveu-me a medicação e despachou-me. Era evidentemente um psiquiatra conceituado. O mal é que a grande maioria não está nem tenta estar na nossa pele senão saberiam que o primeiro passo para uma terapia teria sido uma aproximação diferente ao ser humano que todos somos e que neste caso sofre de um disturbio emocional. Tenho 44 anos e fui rotulada há cerca de 20. Muita coisa na minha vida ficou a meio, divorciei-me há pouco, tenho imensas quebras de energia e muito pouca auto-estima. Principalmente por já ter sido considerada pela família, professores e amigos uma pessoa extremamente inteligente e com jeito para tudo. Mas caí do pedestal principalmente para o meu pai que nunca entendeu muito bem a minha bipolaridade. Já é mau ser posta num pedestal mas cair dele é horrível!
Há alguém através de quem eu consigo fazer a ligação ao mundo que é o meu filho de 8 anos.
Tenho cuidado é para não o sobrecarregar demais em termos de responsabilidade mas acho que até agora tenho gerido a situação com bom senso.
Evito passar-lhe as más energias mas também não o afasto demasiado da minha mãe que tem Alzheimer para ele ir lidando naturalmente com a velhice e a doença.
Enfim teria muito mais a acrescentar mas pelo menos deixo aqui o meu testemunho parcial na esperança que haja mais gente a manifestar-se porque não há melhor terapia do que falarmos uns com os outros daquilo que sentimos na pele.
Joana

RE: Alzheimer

Esta mensagem é mais para ti, Sidónio.
Como já referi na resposta à Ana sobre a bipolaridade, a minha mãe foi diagnosticada com Alzheimer há já 4 anos. Penso que por ter sido logo tratada e por ter um tipo de personalidade com forte apego à vida em que uma das características spe é a alegria de viver, esta doença não tem sido tão devastadora como isso. Pelo menos para já. Ainda a levo ao cinema,à praia, e ela adora. Amua bastante parece uma criancinha mas temos que saber lidar com isso. O que eu acho é que tu, Sidónio, sendo paraplégico deves ter imenso para exorcisar em termos das tuas experiências emocionais, incluindo a revolta que deve existir quando não consegues aceitar as tuas limitações mas também a parte gratificante que é para qualquer ser humano- neste caso tu em particular- que deve ser quando te consegues transcender nalguma área, por muito simples que seja para os outros. Já me estou a alongar mas é que há sempre tanto para dizer,principalmente quando há pelo menos um ponto de sintonia entra as pessoas. Vê se falas mais sobre ti. De certeza que alguém em algum lado iria aprender algo...
Beijinhos