"Feridos com gravidade"

Um dos títulos que compõem as estatísticas dos acidentes de viação são os feridos graves ou com gravidade... muitos destes números em breve vão aumentar a estatística dos Mortos. Não naquele dia, naquela semana ou mês, mas muitos acabam por falecer... Ainda bem para eles!
Pode parecer cruel este meu último comentário, mas o certo é que pouco, mesmo muito pouco se sabe e se diz sobre o futuro dos feridos graves das estatísticas...
O nosso serviço nacional de saúde público é cada vez pior!... há um manifesto desinteresse pela vida nos nossos hospitais. Bem, a cirurgia de urgência é feita, o melhor que se pode, no pouco tempo que medeia entre a vida e a morte. O pior, a aberração vem depois: quem sofre um grave traumatismo cerebral, mais irá sofrer se tiver que ficar na cama de um hospital para recuperar, pois instala-se um manifesto desinteresse pela vida que ainda existe e a política é: deixar morrer!
Tenho um caso real na família!
Não morreu (por pouco), porque os familiares mais próximos trouxeram o paciente para casa, que sem as possibilidades de um grande hospital, fizeram mais pela recuperação em duas semanas, que nos seis meses de política de morte lenta que os responsáveis do hospital seguiram... é triste, mas é a realidade!
Já me alonguei. Talvez volte a escrever... mas o que eu mais queria era poder ter palavras de esperança por parte dos profissionais da medicina, pois o meu familiar tem ido a consultas e os médicos têm olhado para os TAC's e dizem o que já sei: São lesões cerebrais gravíssimas... não tenha esperanças.... Mas se vissem como o meu familiar reage aos nossos estímulos... Eu da minha parte sei que compreende o que lhe dizemos, e que percebe muito do que lhe é dito... embora não fale, sei que o quer fazer, e dizer que está a sofrer. Será que não vale a pena ajudar esta pessoa a ganhar um pouco do que já foi?

Obrigado pela atenção.

Nelson.

RE: "Feridos com gravidade"

Caro Nelson,

Compreendo perfeitamete como se sente.
Também eu tive uma amiga de infância que ficou com graves danos cerebrais devido a um acidente de motorizada em que a pessoa com que seguia e que conduzia a mota morreu. Ela continuou a viver mas não mais recuperou as suas funções motoras e ficou com lesões cerebrais irreversíveis. Acabou por morrer poucos anos mais tarde. O acidente deu-se no último ano do curso de medicina dentária onde era uma aluna brilhante. O pai também era médico e foi impotente para a ajudar. Toda a família e amigos foram afectados pelo acidente que a vitimou a ela e ao amigo. Oficialmente ela foi um ferido com gravidade mas na verdade foi mais uma vìtima mortal de um acidente de viação. Apesar de todos estes exemplos dramáticos para a comunidade, as pessoas ainda não se convenceram de que precisam de alterar os seus hábitos de condução. A própria polícia nada, ou muito pouco faz, além de passar multas por mau estacionamento, para diminuir os números crescentes de acidentes nas estradas portuguesas. Penso que em Portugal deveria haver uma organização de apoio aos acidentados e uma política muito severa de penalização para condutores inconscientes.
Boa sorte e votos de recuperação.
Cristina