Alimentação

Muito se tem escrito e falado sobre alimentos e aditivos alimentares.
Se é ponto assente que a nossa saúde depende em grande parte daquilo que ingerimos, gostaria de iniciar aqui uma troca de opiniões a esse respeito.

RE: Alimentação

Ao longo dos tempos a alimentação desempenhou sempre um importante papel na história da humanidade.
De uma forma muito sintética podemos nomear quatro períodos que marcaram a história da alimentação e consequentemente da espécie humana: 1º Período - Recolectores e Caçadores (homens nómadas, recolhiam alimentos e caçavam); 2º Período - Revolução Agrícola (Com a descoberta da agricultura dá-se a sedentarização/fixação do homem); 3º Período - Revolução Industrial (levou à industrialização da alimentação e consequente mudança de hábitos alimentares). Actualmente vivemos no 4º Período, o da chamada Revolução Científica, em que os conhecimentos sobre o funcionamento do corpo humano e da composição nutricional dos alimentos, tornaram possível o estabelecimento de bases científicas para a alimentação humana.
Hoje em pleno século XXI, e apesar dos conhecimentos científicos entretanto adquiridos a alimentação equilibrada e adequada às necessidades de cada indivíduo ainda é uma utopia a atingir para muitos milhões de seres humanos deste planeta.
Apesar de existirem recursos alimentares para todos, verifica-se ainda, uma assimetria na distribuição alimentar, com reflexos evidentes na morbilidade e mortalidade existente entre essas duas realidades distintas. Assim, existem doenças características dos países desenvolvidos (obesidade, diabetes, neoplasias, doenças cardiovasculares e outras), e doenças características dos países subdesenvolvidos (malnutrição, carências nutricionais globais (calorias, hidratos de carbono, proteínas e gorduras) e carências nutricionais específicas, nomeadamente de vitamina A, ferro, iodo e outras).
Todos podemos contribuir para melhorar a situação alimentar mundial e suas consequências na saúde e na doença. Para tal, basta que cada um de nós, que dispõe de alimentos sem grandes restrições, aprenda a comer de forma equilibrada e adequada ao seu género, idade, actividade profissional e física, assim como as intolerâncias alimentares ou patologias existentes.
2- Erros alimentares mais frequentes em Portugal

Sabemos hoje que existem vários factores alimentares implicados no aparecimento de diversas doenças.
Em Portugal, cometem-se vários erros alimentares que têm uma influência directa no padrão de morbilidade e mortalidade da nossa população. Assim, torna-se urgente o combate aos seguintes erros alimentares:
• Elevado consumo de sal:
o O elevado consumo de sal é responsável pela elevada prevalência de doenças como a hipertensão arterial, cancro do estômago, doenças cerebro-vasculares e cardio-circulatórias.
• Elevado consumo de bebidas alcoólicas:
o Portugal encontra-se entre os maiores consumidores mundias per capita de álcool. Problemas psico-sociais e afectivos, cirrose hepática e diversos acidentes de viação e de trabalho têm no elevado consumo de álcool o seu grande responsável.
• Elevado consumo de gorduras:
o Doenças cardiovasculares, dislipidemias e obesidade são causadas pelo elevado consumo de gorduras na nossa alimentação.
• Elevado consumo de açúcar e alimentos açucarados:
o Os doces e bebidas açucaradas, quando consumidos em excesso, podem contribuir para o desenvolvimento de doenças como a obesidade, diabetes e a cárie dentária.
• Reduzido consumo de alimentos ricos em fibras:
o Hortaliças, legumes e frutos são excelentes fornecedores de fibras alimentares, vitaminas e minerais. Sabemos que o seu reduzido consumo está relacionado com o aumento da prevalência de doenças como a obstipação e alguns tipos de neoplasias.
• Saltar refeições e não tomar o pequeno almoço:
o Começar o dia sem tomar o pequeno almoço é um erro alimentar muito frequente. As suas consequências são hipoglicemias matinais, falta de atenção, diminuição do rendimento intelectual na escola e no trabalho, entre outras.
o Saltar refeições intercalares, como as merendas da manhã e da tarde contribui para a perda da massa muscular, que é consumida para produzir a glicose essencial ao funcionamento das células, nomeadamente dos neurónios.

3- Algumas regras para uma alimentação saudável

Uma alimentação saudável e equilibrada é uma das condições necessárias para viver uma vida longa e plena. Em seguida, enunciam-se algumas regras para uma alimentação saudável:
• Evitar todos os erros alimentares anteriormente referidos.
• A Alimentação deve ser muito variada, tendo em conta as recomendações emanadas pela Roda dos Alimentos Portugueses.
• (Promover um consumo adequado de alimentos do grupo dos legumes e frutos (43% do total diário a ingerir), devido à sua riqueza em fibras alimentares, vitaminas (Vitamina C, vitaminas do complexo B e beta-carotenos) e minerais.
• Restringir o consumo de calorias totais (adequar as calorias ingeridas às necessidades reais e à actividade desempenhada).
• Preferir preparados culinários mais saudáveis como cozidos, cozidos a vapor, assados, grelhados e estufados. Evitar consumir fritos e refogados. Rejeitar sempre as partículas queimadas resultantes da confecção dos alimentos (nomeadamente nos fritos, assados e grelhados).
• Fazer 5 ou 6 refeições diárias, distribuindo assim as calorias ingeridas de forma harmoniosa.
• Ter o cuidado de comer calmamente, mastigando e ensalivando bem os alimentos.
• Ingerir água, infusões, tissanas e chá ao longo do dia. Nunca esquecer que durante o Verão as necessidades hídricas aumentam.
• Adoptar hábitos saudáveis como praticar desporto, não fumar e tentar viver de forma calma e sem stress.

É preciso investir diáriamente na nossa saúde, alterando comportamentos alimentares, para ser possível colher os bons frutos desse investimento no futuro, que se pretende longo e saudável.

Mais informações luiscapucho@hotmail.com

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Uso excessivo do sal

Parece-me que o uso excessivo do sal se deve ao facto da falta de informação na altura em que o sal refinado que contém uma grande quantidade de cloreto de sódio e reduzida percentagem de outros minerais, ao contrário do sal marinho integral que era utilizado.
As donas de casa continuaram a introduzir nos alimentos a mesma quantidade sem saber que estavam a utilizar um produto altamente concentrado de cloreto de sódio, que é responsável pelo aumento da pressão arterial e outras doenças do aparelho circulatório.
O conhecimento desta situação já está, presentemente, mais divulgado mas, muitas das pessoas mais idosas continuam a utilizar o sal refinado em grandes quantidades.

RE: RE: RE: Alimentação

Acabo de ler num jornal que os portugueses consomem três vezes mais sal que o recomendado, 5 gramas por dia.
Esta afirmação que apenas li, foi atribuida a alguém com responsabilidades no sector da saúde que, a ser feita nos termos em que foi divulgada, parece-me pouco esclarecedora uma vez que não especifica o tipo de sal a que se refere a quantidade recomendada.
Como é sabido encontram-se à venda vários tipos de sal desde o refinado até ao integral e, como é óbvio, as suas composições são muito diferentes, indo de uma enorme concentração de cloreto de sódio até, ao sal completo, composto por muitos outros sais minerais.