Acidentes de viação

Penso que a primeira e principal medida para combater os acidentes de viação será os órgãos de Poder fiscalizarem a maneira como é ministrado o ensino da condução.

RE: Acidentes de viação

Toca num ponto importante.

Vou contar-lhe uma história que faz pensar exactamente no que disse.

Uma vez procurei conversar com um responsável da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) para iniciar uma campanha de prevenção sobre este tema aqui na MNI.

Este responsável dizia acreditar que o ensino da condução é que fará a diferença, ou seja, será determinante na melhoria dos índices de sinistralidade em Portugal.

Explicou-me, então, que, porque há um curso muito bem montado, os jovens podem agora conduzir motociclos a partir dos 14 anos.

Isto depois de me ter mostrado estatísticas que indicam que cerca de 65% das mortes nas estradas portuguesas resultam de atropelamentos e mortes de condutores de motociclos.

Ora, disse eu, perante esta estatística, não lhe parece uma loucura colocar os jovens numa situação de risco de vida? Sim, porque por mais educados que estes possam ser durante esses cursos especiais- com psicólogo e tudo, dizia ele-, o risco continua nas estradas...

Depois de me ouvir isto, esse responsável continuava a defender a boa ideia de ensinar crianças de 14 anos a conduzir um motociclo depois de frequentarem o tal curso especial.

Perguntei-lhe, então, se deixaria os seus filhos fazer o curso e conduzir, depois, um motociclo.

Explicou-me então que quando os seus filhos lhe pediram isso os levou a uma urgência de um hospital central para lhes mostrar o resultado final de experiências como as que eles queriam viver.

Quase saltei na cadeira. Precisamente! Isso sim, sempre pensei que uma visita a uma sala de urgência deveria ser obrigatória a todos os candidatos a uma carta de condução.

Mas o que faz saltar é o desfazamento que existe entre o que pessoas responsáveis dizem acreditar e implementam para os outros e o que, no fundo, querem para si próprias e para os seus.

A educação de motociclistas e restantes condutores, bem como a dos próprios peões- que arriscam a vida por alguns minutos de caminhada até uma passadeira- é fundamental. Não contesto isso. Serve apenas esta história para mostrar o cinismo de pessoas que, estando na posse das estatísticas e tendo conhecimento dos riscos, se enganam a si próprias e implementam políticas em que, no fundo, não acreditam.

RE: Acidentes de viação

Caro Jaime Martins,

Compreendo o seu ponto de vista e acho que tem razão. No entanto não consigo compreender porque é que, sendo os exames de condução tão difíceis em Portugal e longo o historial de pessoas que chumbaram porque a roda do veículo tocou no passeio ou o carro foi abaixo ou o estacionamento não foi feito à primeira, entre outras histórias, as pessoas cometem tantas loucuras ao volante. Uma vez fui à Internet curiosa por saber o que se dizia de Portugal em termos de turismo, o que se recomendava às pessoas que queriam visitar o nosso país pela primeira vez. Esse site, de que não me recordo agora, fazia um alerta muito importante contra os perigos de conduzir e andar na estrada em Portugal, dizendo que os portugueses eram muito simpáticos mas à frente de um volante eram absolutamente loucos e perigosos. Infelizmente esta informação continua a ser verdadeira.

RE: Acidentes de viação

Um dos pontos mais aberrantes da forma como se analisa a problemática dos acidentes de viação em Portugal tem certamente a ver com o facto de a causa desses acidentes ser sistematicamente atribuída ao excesso de velocidade.
Na verdade, para um único problema identificado (a velocidade excessiva), as estruturas de decisão (Governos) propõem sempre a mesma solução: a fiscalização.
Pormenor particularmente cínico desta fiscalização é o facto de ela não pretender aparentemente evitar o excesso de velocidade na estrada, antes convertê-lo numa fonte de rendimento não desprezível para o Estado (um pouco na base de ande depressa se puder pagar).
Resultam assim por resolver outros problemas que são certamente igualmente importantes na causalidade do acidente: 1)consumo de álcool e outros produtos tóxicos; 2) mau estado ou 3) traçado inconcebível das estradas; 4) posse e obtenção de licença de condução por pessoas que não estão obviamente em condições físicas ou psicológicas para a possuírem.
Assim, a velocidade concentra todas as atenções e acusações, num processo que se assemelharia ao de um médico que diagnosticasse a mesma doença a todos os doentes que lhe aparecessem e a todos desse o mesmo medicamento. Infelizmente na realidade dos acidentes (tal como sucederia no exemplo referido) alguns dos mais incautos ou imprevidentes vão perdendo a vida ou adquirindo invalidez.
Mais invulgar ainda é o facto de a fiscalização se fazer cada vez mais nas estradas por veículos não identificados da Brigada de Trânsito, num verdadeiro jogo do gato e do rato. Os agentes fiscalizadores em lugar de se tornarem visíveis, com um comportamento exemplar na estrada e que suscitasse o respeito pela sua presença e atitude, transformam-se cada vez mais em corredores de estrada, picando e perseguindo os outros condutores que também não cumprem as regras num clima verdadeiramente cinematográfico.
Em resumo, a velocidade excessiva tem indiscutivelmente um papel importante na génese de muitos acidentes, mas outras causas, mais dispendiosas e menos geradoras de receitas deverão ser igualmente analisadas e resolvidas. Talvez assim se pudesse evoluir da actual tolerância zero para tudo e todos menos os que tomam as decisões que condicionam a vida dos outros.

RE: Acidentes de viação

Acho perfeitamente viável uma pessoa fazer um porto-lisboa a uma média de 160 - 180Km/h, desde que tenha um carro que garanta estabilidade suficiente a essa velocidade, agora o que considero ser o grande perigo a esta velocidade são duas coisas:

As capacidades de quem vai ao volante (que pode ser um mau condutor, ou estar alterado por qualquer razão).

Os perigosos que andam devagar (sei que a expressão não é muito agradável, mas a realidade é que a maioria das pessoas que fazem uma média de 100Km/h numa viagem destas não sabe fazer mais do que atrapalhar, ou seja, ao ver um carro a aproximar-se do lado esquerdo mandam-se na mesma para a faixa, continuam na faixa da esquerda com as duas da direita livres e outras coisas coisas que revelam no mínimo uma falta de atenção)

E que tal se houvesse um exame de perícia para definir o que cada um podia fazer nas estradas? Dei agora o exemplo de quem anda depressa, mas há muita boa gente para quem os limites de velocidade são rápidos demais e tornam-se numa verdadeira mina. Eu conheço uma pessoa que vem na VCI no limite de velocidade, e depois chega a uma rua a subir e não consegue fazer ponto de embraiagem.

Como diria o outro... e esta eim?

RE: Acidentes de viação

Sr Jorge Carvalho, antes de me atacar devia ler bem o que eu disse.

O facto de a carta ser neste momento provisória por dois anos já se aproxima de certa forma daquilo que eu falei. É claro que não vamos legitimar que certas pessoas possam andar por aí a 150 no meio da cidade e a entrar nas curvas a derrapar, e se leu a minha mensagem até ao fim, deve ter reparado no exemplo do condutor para quem considero 120km/h demasiado perigoso para ser permitido.

E já agora, se o facto da velocidade de ponta dos carros choca tanta gente, porque é que os fabricantes não começam a incluir em todos os automóveis limitadores de velocidade definidos para os padrões europeus?

RE: Acidentes de viação

CARO SR.ELCRITICO, QUANDO FALOU NO EXAME DE PERICIA CERTAMENTE DEVERIA ESTAR A BRINCAR, SO PODE SER JA PENSOU NAS SEQUENCIAS QUE ISSO IRIA TRAZER...
JORGE CARVALHO

RE: Acidentes de viação

Como é possível que as viaturas tivessem evoluido tanto nos últimos 50 anos e o código da estrada não? Ainda recordo o meu primeiro carro, um carocha, que dava de velocidade máxima 120 kmh e ao atingir essa velocidade parecia que se ia desintegrar a todo o momento, em suma um verdadeiro perigo. Hoje em dia qualquer carro dá nas calmas 160Kmh e no entanto o limite legal é o mesmo.
Só mais uma reflecção, se é perigoso circular a mais de 120 kmh numa autoestrada com que direito a GNR faz perseguições acima dessa velocidade? Com que direito faz os seus agentes por as suas vidas em risco, e no fundo as dos outros também?
Tenho assistido na televisão aos filmes feitos pelas camaras das viaturas da GNR, em que se vêem as manobras mais incríveis e então a viatura que vai a filmar, não vai exactamente a fazer as mesmas asneiras ou ainda pior?

RE: Acidentes de viação

Meus amigos:

Não podemos ter a ilusão de criar um código da estrada para cada condutor em particular, senão isto era a Republica das Bananas.

Acho muito boa ideia a visita ás urgências dos Hospitais ser obrigatória durante o periodo de aprendizagem. Pode ser um tratamento choque, mas parece-me que infelizmente só assim é que nós portugueses aprendemos.

De resto, conduzam com precaução.

RE: Acidentes de viação

Penso que este problema diminuia pura e simplesmente se aparecerem mais polícias pelas estradas nacionais.
Nalguns paises basta a simples imitação em cartão de polícia para os condutores abrandarem a velocidade.
Mas por exemplo em Lisboa, à anos que não vejo aplicar uma multa, por isso se vê passar sistemáticamente sinais vermelhos, principalmente à noite depois de uma determinada hora.

RE: Acidentes de viação

Penso que não é os orgãos de Poder fiscalizarem a maneira como é ministrado o ensino de condução será uma medida para combater os acidentes de aviação, visto que hoje em dia o DINHEIRO terá mais poder de fiscalização do que os próprios orgãos de Poder.

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