Vício nos “smartphones” causa desequilíbrio no cérebro

Estudo apresentado no Encontro Científico Anual da Sociedade de Radiologia da América do Norte, EUA

05 dezembro 2017
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O vício nos “smartphones” e internet causa um desequilíbrio na química do cérebro, podendo conduzir à ansiedade, depressão e outros problemas, indicou um estudo recente.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores liderados por Hyung Suk Seo da Universidade da Coreia em Seul, Coreia do Sul, teve por base a análise da comparação da composição química do cérebro de 19 jovens viciados em “smartphones” ou internet e de outros 19 jovens saudáveis. Os jovens apresentavam uma mediana de idades de 15,5 anos.
 
12 dos jovens viciados receberam Terapia Cognitivo Comportamental durante nove semanas, que tinha sido ajustada a partir de um programa terapêutico para o vício no jogo.
 
A equipa usou espectroscopia por ressonância magnética para avaliar a composição química do cérebro dos participantes. Os jovens viciados preencheram igualmente questionários sobre o vício nos “smartphones” e internet de forma a avaliar os efeitos do mesmo sobre a sua vida social, rotinas, sono, produtividade e sentimentos.
 
Foi verificado que os jovens viciados apresentavam resultados significativamente superiores em termos de ansiedade, depressão, severidade de insónias e impulsividade. 
 
Os exames de espectroscopia por ressonância magnética foram efetuados aos jovens viciados antes e após de terem recebido a terapia, para medir os níveis de ácido gama-aminobutírico, ou GABA, que é um neurotransmissor que torna os neurónios eletricamente mais ativos. O GABA está envolvido nalgumas funções cerebrais que incluem a ansiedade.
 
Os jovens do grupo de controlo foram submetidos a uma espectroscopia por ressonância magnética apenas.
 
Os resultados das espectroscopias revelaram rácios de GABA em relação à glutamina + glutamato (Glx) muito superiores nos cérebros dos jovens viciados em relação aos dos jovens saudáveis. 
 
Os autores realçaram que os rácios de GABA para a creatinina e de GABA para o glutamato estavam fortemente correlacionados com as escalas de vício na internet e “smartphones”, de depressão e de ansiedade. 
 
No entanto, os rácios de GABA para Glx diminuíram significativamente e mesmo normalizaram nos jovens que receberam a Terapia Cognitivo Comportamental.
 
Segundo os investigadores, os resultados observados poderão ser devidos a uma perda funcional da integração e regulação do processamento da rede cognitiva, emocional e neural.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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