Teste respiratório pode detetar cancros do esôfago e do estômago

Estudo do Imperial College London

01 fevereiro 2017
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Um teste que mede os níveis de cinco substâncias químicas na respiração demonstrou ser promissor na deteção dos cancros do esôfago e do estômago, dá conta um estudo apresentado no Congresso Europeu do Cancro de 2017, que ocorreu entre o dia 27 e 30 de janeiro em Amesterdão, Holanda.
 

O cancro do esôfago e do estômago são, anualmente, responsáveis por cerca de 1,4 milhões de novos diagnósticos de cancro em todo o mundo. Uma vez que os sintomas destes dois tipos de cancro são ambíguos, ambos tendem a ser diagnosticados tarde. Na verdade a taxa de sobrevivência de cinco anos para estes dois tipos de cancro é de apenas 15%.
 

O estudo, conduzido pelos investigadores do Imperial College London, nos EUA, demostrou que o novo teste é capaz de diagnosticar cancro com uma precisão global de 85%.
 

Sheraz Markar, um dos autores do estudo, referiu que atualmente a única forma de diagnosticar o cancro do esôfago ou o do estômago é através da endoscopia. Este é um método dispendioso, invasivo e tem algum risco de complicações.
 

O ensaio clínico, que envolveu mais de 300 pacientes, teve por base estudos anteriores que tinham sugerido que diferenças nos níveis de substâncias químicas específicas, incluindo ácido butírico, ácido pentanóico e ácido hexanóico, entre pacientes com cancro de estômago ou esofágico e pacientes com sintomas gastrointestinais superiores sem cancro.
 

Neste estudo os investigadores decidiram averiguar como esta "assinatura química" que parece tipificar o cancro poderia ser a base de um teste diagnóstico.
 

Para o estudo foram recolhidas amostras de respiração de 335 indivíduos. No total, 162 indivíduos foram diagnosticados com cancro do estômago ou do esôfago e 172 não apresentaram evidências de cancro quando foram submetidos a uma endoscopia.
 

Todas as amostras foram analisadas com uma técnica capaz de medir com precisão pequenas quantidades de diferentes produtos químicos em misturas de gases, como a respiração. Foram medidos os níveis dos cinco produtos químicos em cada amostra para ver quais correspondiam à "assinatura química" associada ao cancro.
 

O estudo apurou que o teste apresentava uma precisão de 85%, uma sensibilidade de 80% e especificidade de 81%. Estes resultados significam que o teste para além de ser capaz de identificar os pacientes com cancro, também consegue identificar corretamente os indivíduos sem cancro.
 

O investigador referiu que uma vez que as células cancerígenas são diferente das saudáveis, produzem uma mistura diferente de substâncias químicas. Este estudo sugere que é possível detetar estas diferenças e utilizar este tipo de teste para indicar quais os indivíduos que têm ou não cancro do esôfago e estômago.
 

Sheraz Markar alerta porém que estes achados necessitam de ser validados numa amostra de maiores dimensões antes do teste poder ser utilizado na clínica.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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