Programa monitoriza superfícies dos hospitais para reduzir infeções

Estudo do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto

09 agosto 2017
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Uma investigadora está a criar um programa para monitorizar mensalmente as superfícies das unidades de saúde, de forma a elaborar medidas preventivas para reduzir as infeções hospitalares.
 
Segundo apurou a agência Lusa, as infeções hospitalares estão associadas a 12 mortes diárias em Portugal.
 
"Os pacientes, quando dão entrada no ambiente hospitalar, transportam consigo diversos agentes patogénicos", deixando a sua "pegada microbiana" impressa nas superfícies por onde passam, disse à Lusa a investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) Manuela Oliveira, responsável pelo projeto.
 
Essas superfícies, frisou, constituem uma "importante rota de transmissão" entre os pacientes, o pessoal médico e o de enfermagem, bem como entre os equipamentos e os sistemas de ventilação.
 
Neste programa serão monitorizadas as maçanetas das portas, as cabeceiras de camas, os tabuleiros cirúrgicos, os carrinhos de apoio de consumíveis e de medicação e as cortinas de separação de camas, da Unidade de Cuidados Intensivos, do Serviço de Recobro, da Pneumologia, da Urologia e do Bloco de Cirurgia, onde a prevalência de infeção é maior.
 
Tendo por base dados obtidos, serão elaborados relatórios com medidas preventivas para redução da contaminação microbiológica dessas superfícies.
 
Manuela Oliveira pretende ainda desenvolver uma plataforma interativa para a visualização dos resultados e das referidas medidas por parte dos hospitais, que podem, no final de um ano de monitorização, receber a "Bandeira Azul", que atesta a segurança da unidade hospitalar.
 
Em Portugal, anualmente, "cerca de 10,6% dos utentes internados adquire uma a infeção hospitalar", situação que acarreta um custo médio 35 mil euros por doente e leva a 12 mortes por dia, número "sete vezes superior ao de vítimas de acidentes de viação", acrescentou a investigadora.
 
Segundo a OMS, muitas das medidas de prevenção e controlo da infeção são "simples e de baixo custo", como a limpeza apropriada das mãos e a aplicação correta de precauções básicas durante os procedimentos invasivos.
 
"No entanto, tais medidas requerem a responsabilização do pessoal médico, de enfermagem e auxiliar, sendo necessário operar algumas mudanças comportamentais", declarou Manuela Oliveira.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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