Os vírus poderão ser uma alternativa aos antibióticos?

Estudo publicado na revista “Nature Medicine”

14 maio 2019
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Uma adolescente de 15 anos com fibrose cística foi recentemente tratada com vírus para combater uma bactéria potencialmente fatal.
 
O notável resultado foi conseguido por uma equipa de investigadores da Universidade de Pittsburgh, EUA, que usou uma abordagem já antiga, mas posta de lado, na batalha contra a infeção e que poderá merecer um novo interesse por parte da comunidade científica: os bacteriófagos.
 
Durante oito anos, a rapariga tinha lutado contra uma infeção pela Mycobacterium abscessus. 
 
Após ter sido submetida a um transplante duplo de pulmões, como resultado de uma fibrose cística, a rapariga recebeu imunossupressores para ajudar o organismo a aceitar os novos órgãos. Isto deu à bactéria a oportunidade de se espalhar, apesar de a paciente estar a receber múltiplos antibióticos por via intravenosa.
 
Com efeito, a paciente ficou com a região da cirurgia infetada, o fígado inflamado, e com mais de 20 erupções nas pernas, braços e nádegas.
 
Graham Hatfull, coautor do estudo, explicou que a paciente não estava a responder aos antibióticos. Sendo os bacteriófagos a especialidade da equipa, os investigadores procuraram identificar fagos que pudessem infetar e matar o tipo de estirpe bacteriana que estava a afetar a adolescente.  
 
Foram identificados três fagos, que a equipa manipulou geneticamente de forma a poderem melhor combater a infeção na rapariga. Os fagos foram administrados por via intravenosa e tópica sobre as lesões na pele.
 
Em seis meses, a região da cirurgia e as erupções tinham cicatrizado, sem efeitos adversos.  
 
“Este é o primeiro uso de fagos para tratar este tipo de infeção com este tipo de bactéria e é a primeira vez que alguém usou fagos que tinham sido geneticamente manipulados para serem mais eficazes”, explicou Graham Hatfull. 
 
A ideia de usar bacteriófagos não é nova e já existe há cerca de 100 anos. Porém, com a descoberta da penicilina e de outros antibióticos, ficou posta de parte. A terapia com bacteriófagos começa a merecer um interesse renovado, agora que algumas bactérias perigosas estão a desenvolver resistência aos antibióticos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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