Muco que cobre peixes poderá ser fonte de novos antibióticos

Estudo conduzido pelas universidades de Oregon e da Califórnia

02 abril 2019
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O muco que torna os peixes escorregadios pode ser fonte de novos antibióticos eficazes contra bactérias multirresistentes, indicou um estudo divulgado pela agência Lusa.
 
A substância viscosa protege os peixes de bactérias, fungos e vírus presentes na água, aprisionando os micro-organismos antes que estes consigam penetrar nos tecidos dos peixes.
 
De acordo com o estudo, conduzido por investigadores das universidades de Oregon e da Califórnia, EUA, essa substância tem também uma composição rica em polissacarídeos (hidratos de carbono que integram estruturas orgânicas) e peptídeos (biomoléculas que agregam aminoácidos) com propriedades antibacterianas conhecidas.
 
A equipa liderada por Sandra Loesgen isolou, em amostras de muco de peixes retiradas tanto de espécies de águas profundas como de águas costeiras, 47 estirpes diferentes de bactérias.
 
Destas bactérias, cinco revelaram propriedades inibidoras da “Staphylococcus aureus”, responsável por muitas infeções hospitalares, e três manifestaram-se como inibidoras do fungo “Candida albicans”, que provoca doenças como a candidíase.
 
Sandra Loesgen adianta que uma bactéria encontrada no muco de uma espécie da família dos pargos revelou atividade contra células cancerígenas do cólon.
 
A líder do estudo sublinhou o potencial, ainda pouco estudado, dos micro-organismos e substâncias naturalmente presentes nos animais marinhos face às descobertas que têm vindo a ser feitas sobre a importância das bactérias benéficas e protetoras presentes no organismo humano, especialmente no chamado microbioma gastrointestinal.
 
A equipa de investigadores centrou a pesquisa na busca de substâncias ativas que poderão ser fonte de novos antibióticos para combater patologias humanas.
 
Contudo, indicou Sandra Loesgen, a equipa está também a estudar outras aplicações para as descobertas, como por exemplo na redução do uso de antibióticos genéricos na indústria da aquacultura e na criação de substâncias ativas especificamente dirigidas aos agentes patogénicos associados a espécies especificas de peixes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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