Mau-humor: Falta de testosterona pode deixar homem triste e irritado
01 Março 2002
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É homem? De um momento para o outro, fica irritado com (quase) tudo, ou, anda sempre a choramingar pelos cantos? Se é assim, talvez sofra da «síndroma do macho irritável».
 

Dizem os cientistas que no reino animal, os bichos que apresentem variações de humor e comportamento são afectados por uma diminuição periódica da hormona masculina testosterona.
 

 

E se acontece com os animais, o Homem também está incluído? A resposta é «pode ser que sim». Segundo um grupo de especialistas britânicos, em entrevista à New Science», «esse fenómeno também poderá afectar o homem».
 

Segundo a reputada revista norte-americana, citando trabalhos científicos que serão publicados na publicação especializada "Reproduction, Fertility and Development", existem argumentos bastante elucidativos sobre o assunto.
 

 

E as opiniões dos cientistas e estudiosos do assunto apontam para que o homem sofra, de facto, do mesmo mal dos animais. Gerald Lincoln, da unidade de reprodução humana do Conselho de Investigação Médica, em Edimburgo, refere que a diminuição de testosterona tem um peso importante no comportamento humano. A síndroma pode afectar homens de todas as idades, quando o stress provoca uma queda da taxa da hormona, adiantou o especialista.
 

 

As taxas da hormona masculina – testosterona - são altas no Outono, época do acasalamento, mas descem no Inverno, quando, por exemplo, os carneiros perdem o interesse sexual e passam a ficar nervosos.
 

 

Richard Anderson, um dos especialistas citados pela News Scientist, explicou as razões deste fenómeno. É que, refere o cientista, os homens que apresentam escassez de testosterona ficam irritáveis e deprimidos atingem níveis baixos da hormona, mas o humor é retomado quando a situação é normalizada.
 

 

Situações de stress, como zangas, divórcio ou doença, podem conduzir a uma diminuição importante da taxa da hormona, apontou Lincoln.
 

 

O problema, aponta o cientista, é que, até ao momento, existem muito poucos estudos sobre o efeito do stress e a testosterona nos homens.
 

 

David Abbott, especialista do Centro de Investigação de Primatas de Wisconsin, nos Estados Unidos, também partilha da mesma opinião. “Quando um homem se torna mal-humorado e irritável, procura-se apenas uma explicação, baseada na taxa de cortisol [hormona do stress] ou investigar se tem, de facto, uma depressão", desprezando, contudo, a questão da diminuição da testosterona. Para Abbott esta despistagem é extremamente útil em casos particulares, pois, deste modo, a medicação incidiria na reposição hormonal e não no uso de antidepressivos.
 

 

Mais prudente, David Handelsman, especialista da Universidade de Sydney, declarou à revista que as variações de testosterona no homem adulto são muito menos importantes do que as observadas em carneiros, a não ser em situações excepcionais de cirurgia radical (castração), praticada em casos de cancro da próstata muito avançados, que provoca uma redução de 90 por cento da taxa da hormona.
 

 

Paula Pedro Martins
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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