Má qualidade do sono está associada a aspetos depressivos

Alerta da especialista Marta Gonçalves

23 outubro 2018
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A má qualidade do sono está associada, em grande medida, a aspetos depressivos, disse à agência Lusa a especialista Marta Gonçalves, que participou no simpósio "Insónia: a perspetiva da Medicina do Sono", em Coimbra.
 
"É um sintoma muito comum em 80 a 90% das depressões haver insónia", salientou a médica psiquiátrica, coordenadora da psiquiatria e medicina do sono do Hospital CUF do Porto, que participou no simpósio para falar sobre "Insónia, depressão e ansiedade - velhos problemas, novos desafios".
 
Segundo a especialista em medicina do sono, que citou estudos de 2010, 18% da população portuguesa sofre de insónia, sendo que a mais prevalente é a dificuldade em adormecer, e desse número 10% tomava medicamentos para dormir, "o que é preocupante".
 
Um estudo mais recente em população adulta, com base numa amostra do grande Porto, concluiu "que 30% de jovens adultos com 21 anos têm má qualidade de sono e 15,6% tinham sintomas depressivos". "Nesse grupo, 23,5% dormem menos de sete horas, que é o mínimo indicado de sono aos 21 anos (entre sete a nove horas)", explicou.
 
Para Marta Gonçalves, a insónia "é um sintoma comum associado a outros sintomas depressivos, mesmo que muitas vezes os outros não sejam tão evidentes e apareçam mascarados".
 
"Temos de estar atentos, porque 40% das insónias têm esta causa, esta morbilidade psiquiátrica - quer a ansiedade quer a depressão podem estar ligadas", sublinhou.
 
"Por outro lado, a insónia a longo prazo, em estudos longitudinais, aumenta o risco de depressão para mais do dobro", frisou.
 
Outras causas possíveis de insónias estão relacionadas com a Síndrome do Apneia do Sono, da Síndrome de Pernas Inquietas, das alterações do ritmo circadiano e de várias outras doenças próprias da Medicina do Sono.
 
De acordo com Joaquim Moita, presidente da Associação Portuguesa do Sono (APS), citado num comunicado enviado à agência Lusa, a insónia é tratável, "embora, na maioria dos casos, não o seja de forma eficaz em Portugal pelo uso excessivo e inapropriado de benzodiazepinas, que provocam dependência, alterações cognitivas, comportamentais e demência precoce".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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