Jet lag pode aumentar risco de doença hepática

Estudo publicado na revista “Cancer Cell”

29 novembro 2016
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O jet lag repetido aumenta a obesidade associada à doença hepática e o risco de cancro do fígado, sugere um estudo publicado na revista “Cancer Cell”.
 

Quando se é exposto à luz, o relógio circadiano central no cérebro é reiniciado. Quando as pessoas estão constantemente a viajar para diferentes fusos horários, a trabalhar por turnos ou se forçam a permanecer acordadas durante o tempo de sono regular, o relógio central é interrompido. Esta interrupção estende-se também a relógios presentes noutros tecidos, que são controlados pelo relógio central.
 

Ao alterarem o tempo que as luzes estavam ligadas ou desligadas durante a noite, semanalmente, os investigadores do Colégio de Medicina de Baylor, nos EUA, modelaram os efeitos do jet lag crónico em ratinhos normais alimentados com uma dieta saudável. Verificou-se que os animais ganharam peso e gordura, e desenvolveram doença do fígado gordo, que evoluiu para inflamação crónica e, eventualmente, para cancro de fígado em alguns casos.
 

O estudo apurou que ratinhos com jet lag perderam o controlo normal do metabolismo hepático, ou seja, não só acumularam mais gordura como também aumentaram a produção de ácidos biliares que são produzidos pelo fígado para ajudar a digerir os alimentos. Estudos anteriores, realizados em animais e humanos, já tinham associado os ácidos biliares ao cancro do fígado.
 

Apesar de os investigadores não terem estudado diretamente o efeito do jet lag nos humanos, existem evidências de que a interrupção do sono nos humanos aumenta o risco de doença do fígado gordo e cancro do fígado. Neste contexto, os cientistas defendem que as alterações do estilo de vida que produzem um jet lag crónico também alteram a homeostasia interna e aumentam o risco de cancro do fígado nos humanos.
 

Loning Fu, líder do estudo, referiu que estudos recentes têm demonstrado que mais de 80% da população dos EUA adotam um estilo de vida que conduz à interrupção crónica dos horários de sono. Este tipo de estilo de vida também atingiu níveis epidémicos noutros países em desenvolvimento, que é acompanhado pelo risco de obesidade e cancro do fígado.
 

Os investigadores vão, em estudos futuros, analisar se os fármacos que interagem com recetores nucleares podem ajudar a impedir o jet lag de afetar os níveis dos ácidos biliares no fígado, com o objetivo de utilizá-los como estratégias farmacêuticas para impedir o cancro do fígado nos humanos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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