Investigação sobre oxigenação celular vencedora do Nobel da Medicina

Investigador Sérgio Dias destaca a importância deste trabalho

09 outubro 2019
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O investigador Sérgio Dias, do Instituto de Medicina Molecular, considerou que o trabalho dos três cientistas distinguidos com o Nobel da Medicina permite pensar em estratégias para bloquear o mecanismo usado pelas células do cancro para se multiplicarem.
 
Em declarações à agência Lusa, Sérgio Dias, investigador principal do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes (IMM) na área do cancro, disse que as descobertas dos cientistas distinguidos, relativas à forma como as células se adaptam às diferenças de oxigénio, são muito importantes porque "todas as células precisam de oxigénio para sobreviver".
 
"Este Prémio Nobel é mesmo um Nobel da fisiologia, pois permite compreender como é que as células respondem aos níveis de oxigénio e, em doenças, permite perceber como a ausência de oxigénio, ou a descida dos níveis normais de oxigénio - a tal situação de hipóxia -, pode explicar o desenvolvimento e progressão de algumas doenças", afirmou.
 
O investigador do IMM exemplificou com o caso do cancro: "um tumor vai-se desenvolvendo e chega a um determinado momento em que a disponibilidade de oxigénio se torna reduzida porque estamos a formar novas células que precisam de oxigénio para sobreviver".
 
"As células do cancro, na ausência de oxigénio, desenvolvem um mecanismo molecular (...) que leva à formação de novos vasos sanguíneos (...) para aumentar o aporte de oxigénio disponível", explicou o especialista, acrescentando: "ao perceber que esse mecanismo depende ou está diretamente relacionado com a resposta aos níveis de oxigénio disponíveis nos tecidos, permite-nos pensar em estratégias para bloquear essa resposta (...)".
 
O prémio Nobel da Medicina foi atribuído aos cientistas William Kaelin, Gregg Semenza e Peter Ratcliffe, que dividirão igualmente o prémio de nove milhões de coroas suecas (832.523 euros).
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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