Insuficiência cardíaca afeta cerca de meio milhão em Portugal e está a crescer

Considerações do novo presidente da SPC

30 abril 2019
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Cerca de meio milhão de portugueses tem insuficiência cardíaca, doença que está a aumentar e é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e do cólon, segundo a Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
 
A Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) alertou ainda para o aumento dos casos de insuficiência cardíaca, sobretudo por causa do envelhecimento da população.
 
De acordo com a SPC, no caso da insuficiência cardíaca, o número de mortes pode aumentar em 73% em 2036 e a carga da doença, que engloba os anos de vida perdidos por morte e incapacidade, vai crescer 28% relativamente a 2014.
 
Em declarações à Lusa, o novo presidente da SPC, Vitor Gil, diz que, apesar dos dados divulgados recentemente que indicam uma falta de conhecimento dos sintomas da doença por grande parte da população, os portugueses identificam os sintomas e procuram um médico, mas por vezes associam mais à idade do que à insuficiência cardíaca.
 
“Tentar aumentar literacia é extremamente importante, mas tão importante ou mais é facilitar o acesso das pessoas. É frequente haver pessoas que estão preocupadas e não têm acesso imediato ao especialista ou até ao médico de família”, afirmou.
 
O responsável reconhece que a insuficiência cardíaca tem vindo a aumentar como consequência do envelhecimento gradual da população: “Temos de perceber que os corações envelhecem e que chega a uma altura que começam a dar manifestações”.
 
Destaca também a necessidade de tratar adequadamente os fatores de risco, afirmando que, por exemplo, na hipertensão Portugal está longe dos objetivos terapêuticos: “Há muita gente a tomar medicamentos, mas a percentagem de doentes efetivamente controlados está longe do que gostaríamos de atingir”.
 
O novo presidente da SPC defende igualmente uma melhor estratégia de ligação entre hospitais e cuidados de proximidade. Diz que na fase inicial o cardiologista deve ser envolvido, mas quando o doente estabiliza pode e deve ser seguido nos cuidados de proximidade.
 
“É preciso uma estratégia multidisciplinar e de colaboração porque os doentes não são de ninguém, nem do cardiologista, nem do clínico geral. O doente deve ser seguido de acordo com a sua situação na altura”, afirma, frisando que é preciso também fomentar a colaboração institucional entre centros de saúde e hospitais.
 
“Estimula-se que os médicos de família enviem doentes para os hospitais, mas pedir aos médicos de família para fazerem exames auxiliares de diagnóstico em ambulatório não é encorajado porque os orçamentos são diferentes. Isso facilitaria muito a vida dos hospitais, porque aliviava a carga dos exames auxiliares de diagnóstico em doentes de ambulatório”, concluiu.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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