Estudo publicado na “Psychopharmacology”
A administração de medicação na gravidez pode afetar o desenvolvimento de ansiedade excessiva e depressão no filho, bem como afetar negativamente o comportamento sexual, caso a criança seja do sexo masculino, dá conta um estudo recentemente publicado na “Psychopharmacology”.
Em causa está a exposição intrauterina a glucocorticóides (GC) sintéticos, substâncias utilizadas para acelerar a maturação pulmonar fetal e que são dadas a 10 por cento das grávidas.
Em declarações à agência Lusa, Mário Oliveira, investigador da Universidade do Minho, revelou que “apesar de estudos em animais e humanos apontarem para efeitos adversos a nível do crescimento do cérebro e outros órgãos em desenvolvimento, o recurso a várias doses persiste na prática clínica”.
O estudo analisou o impacto da dexametasona (DEX), um tipo de glucocorticóide sintético frequentemente utilizado neste âmbito, no desenvolvimento do jovem adulto e avaliou as consequências desta exposição pré-natal no comportamento sexual masculino, uma vez que a diferenciação sexual cerebral começa durante a fase final da gravidez.
Além do impacto ao nível da ansiedade, os resultados do estudo revelam também que a exposição pré-natal à DEX altera o comportamento relacionado com o medo na idade adulta.
Estes traços comportamentais correlacionam-se com uma desregulação do mecanismo de resposta ao stress e com alterações do volume de áreas cerebrais que são responsáveis pela modulação da ansiedade.
“A exposição a stress ou níveis elevados de GC durante etapas cruciais do desenvolvimento contribuem para o aparecimento de distúrbios neuropsiquiátricos, nomeadamente a ansiedade e a depressão. É reconhecido que eventos adversos durante fases precoces da vida podem moldar a saúde física e mental do adulto”, revelou Mário Oliveira.
Relativamente à repercussão da DEX pré-natal na conduta sexual masculina, verifica-se “um impacto em comportamentos que traduzem uma redução da motivação sexual”.
O estudo mostra ainda que a utilização alternativa de GC naturais parece ter efeitos mais ténues, o que leva a acreditar numa possível “reavaliação” e “uso sensato” destas substâncias na prática clínica.
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
Comentário 


