Gene na Parkinson inicia doença fora do cérebro

Estudo publicado na revista “Brain”

27 março 2018
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A mutação genética mais comum que conduz à doença de Parkinson afinal altera as células que circulam fora do cérebro, e não dentro, revelou um novo estudo.
 
Os investigadores envolvidos neste estudo, de várias instituições académicas e hospitalares norte-americanas, demonstraram que a mutação genética mais comum na Parkinson, a mutação no gene LRRK2, pode alterar a forma como as células imunitárias reagem a infeções como constipações, o que por seu turno desencadeia a reação inflamatória no cérebro que causa a doença de Parkinson.
 
Esta descoberta vem oferecer uma nova perspetiva em relação à doença, a qual se acreditava iniciar no cérebro.
 
“Sabemos que umas células do cérebro chamadas microglias causam a inflamação que acaba por destruir a área do cérebro responsável pelo movimento na Parkinson”, disse Richard Smeyne, investigador neste estudo. “Mas não se sabia ao certo como é que uma mutação hereditária comum estava envolvida naquele processo, e se a mutação alterava as microglias”. 
 
O investigador e equipa analisaram a versão mutante do gene LRRK2, que é a causa mais comum da Parkinson de origem hereditária. Os investigadores sabiam que a mutação do gene em si não era suficiente para causar a doença. “Sabemos que gémeos que expressam ambos a mutação não irão necessariamente desenvolver a Parkinson”, explicou Elena Kozina, primeira autora do estudo.
 
A equipa suspeitava que as mutações da LRR2 atuavam fora do cérebro. Usaram um agente conhecido como LPS (lipopolissacarídeo) que causa reações imunes. O LPS não passa para o cérebro, nem as células imunes que este ativa, o que foi ideal para o ensaio.
 
A equipa administrou bactérias em ratinhos com as duas mutações mais comuns do gene LRR2. O resultado foi uma reação imunitária que se tornou numa “tempestade de citoquinas”, com mediadores inflamatórios a subirem a níveis três a cinco vezes mais elevados só que numa reação normal ao LPS. Estes mediadores inflamatórios foram produzidos por células imunitárias T e B que expressavam a mutação no LRRK2.
 
Apesar de o LPS não ter cruzado a barreira cérebro-sangue, a equipa demonstrou que as citoquinas elevadas conseguiram entrar no cérebro, criando um ambiente que provocou a ativação patológica das microglias, destruindo a região do cérebro envolvida no movimento.
 
A equipa precisa agora de conduzir ensaios em humanos para verificar se o este achado se pode aplicar aos mesmos.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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