Eventos adversos no internamento aumentam risco de morte e são dispendiosos

Estudo conduzido pelo CINTESIS

21 fevereiro 2018
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Um estudo realizado nos hospitais públicos nacionais revelou que em 6% dos internamentos ocorre pelo menos um evento adverso, uma situação que se associa a um aumento de 5% para 7% do risco de morte hospitalar desses doentes.
 
Estas situações, de acordo com a investigação a que a Lusa teve acesso, custam ao Serviço Nacional de Saúde “mais de 100 milhões de euros por ano”.
 
Desenvolvido pelo CINTESIS – Centro de Investigação em Tecnologias e Serviços de Saúde, o trabalho teve como objetivo avaliar a frequência e o impacto dos eventos adversos nos doentes internados em Portugal.
 
A equipa liderada por Alberto Freitas avaliou os registos dos internamentos hospitalares de todos os hospitais públicos nacionais entre 2000 e 2015. As conclusões revelaram que a frequência de eventos adversos aumentou substancialmente de 2,3% para 8%, entre 2000 e 2015.
 
“Registaram-se mais de 500 mil complicações inesperadas a procedimentos médicos, seguindo-se as reações a medicamentos (279 mil). Os erros resultantes da prestação de cuidados de saúde por parte dos profissionais de saúde são os menos frequentes (apenas 90 mil ocorrências ao longo dos 16 anos do estudo)”, lê-se na investigação.
 
Alberto Freitas esclarece que “a nível internacional também se regista um aumento dos eventos adversos” e aponta duas possíveis explicações para este fenómeno: “por um lado, os profissionais de saúde estão mais rigorosos no registo destas ocorrências e, por outro, assiste-se efetivamente a um crescimento dos eventos adversos, e isso pode acontecer por várias razões, como o envelhecimento da população”.
 
Neste trabalho, os autores perceberam que existem, de facto, fatores que se associam a um maior risco de sofrer um evento adverso.
 
Os resultados mostraram também que os pacientes que sofreram um evento adverso ficam internados o dobro dos dias em comparação com os pacientes cujo internamento decorreu dentro da normalidade.
 
No âmbito deste trabalho, foi ainda possível estimar os custos financeiros associados a estas ocorrências. Enquanto, num internamento normal os custos medianos são de 1.760 euros, nos internamentos que registam eventos adversos ultrapassam-se os 3 mil euros.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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