Estudo sobre novos fármacos de combate ao cancro distinguido

Equipa recebeu o Society Impact Award 2019

14 maio 2019
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Um estudo que avaliou, pela primeira vez, o impacto de fármacos anticancerígenos na água do interior das células foi distinguido com o Society Impact Award 2019, anunciou a Universidade de Coimbra.
 
O prémio foi atribuído pelo ISIS Neutron and Muon Source, laboratório que possui “um dos mais potentes feixes de neutrões e muões do mundo”, localizado no Reino Unido, refere a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), numa nota enviada à agência Lusa.
 
Lançado em 2018, o prémio ISIS Impact Award reconhece “o impacto científico, social e económico do trabalho desenvolvido pela comunidade de utilizadores das instalações do centro”, que é de cerca de um milhar de cientistas de todo o mundo, por ano.
 
A investigação agora premiada, liderada por Maria Paula Marques e Luís Batista de Carvalho, da FCTUC, visa “o desenvolvimento de novos fármacos antitumorais com múltiplos locais de ação, a designada quimioterapia multialvo, que permite aumentar a eficácia do tratamento de doentes com cancro, principalmente em casos de prognóstico muito baixo”, indica a Faculdade.
 
Geralmente, explicam os dois investigadores citados pela FCTUC, “os medicamentos de combate ao cancro têm um único alvo (uma molécula recetora, que pode ser o ADN, uma proteína específica, a membrana da célula, etc.)”.
 
Contudo, sublinham que “se se conseguir um fármaco que atue simultaneamente em vários locais da célula, a eficácia do tratamento será maior e terá menos efeitos tóxicos para o paciente”.
 
Sabendo-se que a água, a substância mais abundante dentro da célula, é essencial para o seu bom funcionamento, os investigadores decidiram estudar o comportamento dos diferentes tipos de água intracelular na presença de fármacos anticancerígenos.
 
Foram testados dois fármacos em dois tipos de cancro muito agressivos: carcinoma de mama metastático (triplo-negativo) e osteossarcoma (cancro de osso, que afeta particularmente crianças e adolescentes). Primeiro, foi avaliado o efeito de um medicamento conhecido – a cisplatina – e, numa segunda fase, foi testado um fármaco desenvolvido por estes investigadores (ambos os compostos têm como alvo principal o ADN da célula).
 
Os resultados foram bastante promissores, sustentam os coordenadores do estudo, salientando que, “no seu conjunto, verificou-se que os dois fármacos afetam a água intracelular nos tipos de cancro agora estudados. Mais, observaram-se diferenças significativas no modo de ação dos dois medicamentos, dependentes ainda do tipo de cancro”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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