Doenças psiquiátricas e capacidade de comunicação têm genes em comum

Estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”

05 janeiro 2017
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Uma equipa internacional de investigadores forneceu mais pistas sobre a relação entre os genes associados ao risco de autismo ou esquizofrenia e os genes que influenciam a capacidade de comunicar durante o desenvolvimento, dá conta um estudo publicado na revista “Molecular Psychiatry”.
 

No estudo os investigadores do Instituto Max Planck, na Holanda, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, do Instituto Broad, nos EUA, e do consórcio iPSYCH, na Dinamarca, contaram com a participação de milhares de indivíduos para analisar a sobreposição genética entre o risco de ter estas doenças psiquiátricas e as medidas de competência de comunicação social, ou seja, a capacidade de interagir socialmente com outras pessoas com sucesso durante a infância até a adolescência.
 

Os investigadores apuraram que os genes que influenciam os problemas de comunicação social durante a infância sobrepõem-se aos genes associados ao risco de autismo, mas esta associação diminui durante a adolescência. Por outro lado, verificou-se que os genes que influenciam o risco de esquizofrenia foram mais fortemente associados aos genes que afetam a competência social durante o fim da adolescência.
 

Beate St Pourcain, do Instituto Max Planck, refere que estes achados sugerem que o risco de desenvolver estas condições psiquiátricas distintas está fortemente associado a conjuntos diferentes de genes, os quais influenciam as capacidades de comunicação social, mas que exercem a sua máxima influência durante diferentes períodos do desenvolvimento.
 

Os indivíduos com autismo e esquizofrenia têm problemas de interação e de comunicação com outras pessoas, porque não são capazes de iniciar facilmente interações sociais ou dar respostas apropriadas. No entanto, os distúrbios do autismo e esquizofrenia desenvolvem-se de formas muito distintas. Os primeiros sinais do distúrbio do espetro autista surgem tipicamente na infância ou na primeira infância, enquanto os sintomas da esquizofrenia aparecem apenas no início da idade adulta.
 

Para além de terem grandes dificuldades de interação com os outros, os indivíduos com autismo apresentam pensamentos rígidos e concretos, bem como interesses obsessivos. Por outro lado, a esquizofrenia é caracterizada por alucinações, delírios e pensamentos seriamente perturbados.
 

Contudo, estudos recentes têm demonstrado que muitas destas características podem ser encontradas, em grau moderado, em crianças e adultos em desenvolvimento. Isto sugere que há de facto uma linha ténue entre um comportamento “normal” e “anormal”.
 

David Skuse, da Universidade College London, no Reino Unido, conclui que este estudo demonstrou claramente como a medida da competência de comunicação social na infância é um indicador sensível do risco genético de desenvolver estas doenças psiquiátricas. Para o investigador, agora o grande desafio é identificar como a variação genética influencia o desenvolvimento do social.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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