Doenças infecciosas tropicais cada vez mais frequentes na Europa

Alerta na conferência de Microbiologia Clínica e Doenças Infeciosas

17 abril 2019
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As doenças infecciosas tropicais, transmitidas por mosquitos e carraças, são cada vez mais comuns em regiões de clima temperado como a Europa, devido às alterações climáticas e à globalização, alertaram vários cientistas europeus.
 
Segundo apurou a agência Lusa, a conferência europeia de Microbiologia Clínica e Doenças Infecciosas ficou marcada pelo alerta para a propagação na Europa de infeções como a febre do dengue, chicungunha (doença semelhante ao dengue, também transmitida por mosquitos), doença da mosca da areia (leishmaniose) e o vírus da encefalite transmitido por carraças (TBE).
 
Estas doenças ocorriam até agora nos países europeus apenas como “infeções importadas”: os viajantes eram contaminados nos países tropicais e traziam-nas no regresso a casa.
 
Porém, esta realidade está a mudar, especialmente na região mediterrânica, como Portugal, Espanha e Itália, que estão a converter-se em regiões tropicais durante uma parte do ano, passando a ter um habitat favorável a estas moscas, mosquitos e carraças.
 
Giovanni Rezza, diretor para as doenças infecciosas no Istituto Superiore di Sanitá, em Itália, explicou que os insetos que podem transmitir estas e outras doenças estão a “prosperar” em zonas onde antes não existiam e isto deve-se ao facto de estas regiões terem períodos maiores de clima quente, invernos menos frios e estações grandes de seca.
 
Algumas partes do sul da Alemanha e da Suíça também não escapam à ameaça: “Uma combinação de fatores faz com que o clima seja mais adequado ao mosquito tigre. Em Itália e em Espanha é já abundante e esses são países para onde vamos muito em férias”, disse o biólogo holandês Arnold van Vliet, da Universidade de Wageningen.
 
Na última década registaram-se vários surtos de dengue e especialmente de chicungunha nos países do Mediterrâneo, sublinharam os cientistas, recordando em particular os anos de 2007 e 2017 em Itália, em que centenas de pessoas foram infetadas, num fenómeno associado sobretudo a “verões prolongados, quentes e húmidos”, segundo Giovanni Rezza.
 
Também foram registados pequenos surtos destas doenças na costa do sul de França, na Croácia, na ilha da Madeira e na Grécia, onde houve um surto de malária em 2011 e 2012, acrescentaram.
 
“As alterações climáticas desempenham um papel importante na propagação de doenças infeciosas tropicais em áreas com um clima temperado, mas as viagens e o aumento da globalização (incluindo o comércio) são ainda mais importantes”, afirmou Jan Semenza, da organização europeia de instituições de saúde.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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