Doença de Alzheimer: descoberto potencial tratamento?

Estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”

03 fevereiro 2017
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A diminuição dos níveis de glucose no cérebro é um dos primeiros sinais da doença de Alzheimer. Contudo, até à data, ainda não se sabia se era uma causa ou consequência da disfunção neurológica. Investigadores americanos demonstraram inequivocamente que a privação da glucose no cérebro desencadeia o início do declínio cognitivo, atesta um estudo publicado na revista “Translational Psychiatry”.
 
Segundo a Universidade de Temple, nos EUA, em informação veiculada no seu sítio da Internet, nos últimos anos uma das alterações que tem sido consistentemente observada é a diminuição da disponibilidade de glucose no hipocampo. Esta é uma área do cérebro que desempenha um papel importante no processamento e armazenamento das memórias. O hipocampo, tal como outras regiões do cérebro, depende exclusivamente da glucose, na sua ausência os neurónios podem eventualmente morrer.
 
No estudo, os investigadores, liderados por Domenico Praticὸ, demonstraram, pela primeira vez, que existe uma associação direta entre a deterioração da memória e a privação da glucose no cérebro através de um mecanismo que envolve a acumulação da proteína tau fosforilada.
 
O investigador explicou que a tau fosforilada precipita e agrega-se no cérebro, formando emaranhados que induzem a morte neuronal. No geral, uma maior abundância de emaranhados da tau está associada a uma demência mais grave.
 
O estudo também identificou pela primeira vez uma proteína, a p38, como um potencial alvo terapêutico no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Os neurónios ativam a proteína p38 em resposta à privação de glucose, possivelmente como um mecanismo de defesa. Contudo, a longo prazo, esta ativação aumenta a fosforilação da tau, o que agrava o problema.
 
De forma a investigar o impacto da glucose na privação do cérebro, os investigadores utilizaram um modelo de ratinho para a doença de Alzheimer. Aos quatro e aos cinco meses de idade, alguns animais foram tratados com 2-desoxiglucosa (DG), um composto que impede a glucose de entrar e ser utilizada pelas células. O composto foi administrado ao longo de vários meses e a função cognitiva dos animais foi avaliada. 
 
Após terem submetidos os ratinhos a um conjunto de testes de memória, os investigadores concluíram que aqueles com privação de glucose tiveram, comparativamente com os restantes, um pior desempenho nos testes.
O estudo apurou que os neurónios dos ratinhos tratados com DG apresentavam uma função sináptica alterada, o que sugere que as vias de comunicação neuronal foram interrompidas. Observou-se uma redução significativa no mecanismo que reforça as ligações sinápticas e que assegura a formação e armazenamento da memória.
 
Os investigadores observaram ainda que os cérebros dos ratinhos privados de glucose apresentavam níveis elevados da proteína tau fosforilada e quantidades muito elevadas de morte celular. Posteriormente verificou-se que a deterioração da memória estava diretamente associada ao aumento da ativação da p38.
 
Domenico Praticὸ referiu que agora o próximo passo é inibir o p38 para verificar se os problemas de memória podem ser aliviados, apesar da privação da glucose. Um fármaco que tenha por alvo esta proteína pode fornecer grandes benefícios para os pacientes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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