Doença celíaca: dieta sem glúten não parece ser suficiente para 20% das crianças

Estudo publicado no “Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition”

11 novembro 2016
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Após um ano de adoção de uma dieta sem glúten, cerca de 20% das crianças com doença celíaca continuam a apresentar enteropatia (problemas intestinais), revela um estudo publicado no “Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition”.
 

Para o estudo, os investigadores do Hospital Pediátrico de MassGeneral, nos EUA, fizeram uma revisão do registo de 103 crianças e adolescentes com doença celíaca tratados em dois centros médicos. Os pacientes com a doença celíaca têm um padrão característico de lesão intestinal causada pela exposição ao glúten, presente no trigo e cereais. Desta forma, o principal tratamento da doença celíaca é a adoção de uma dieta sem glúten.
 

As crianças seguiram uma dieta sem glúten ao longo de uma média de 2,4 anos. Cerca de 90% foram classificadas como tendo uma excelente adesão à dieta. Os pacientes foram também submetidos a endoscopia intestinal e biópsia quando a doença foi diagnosticada e após um ano da adoção de uma dieta sem glúten. As principais razões para a repetição da biópsia foram sintomas persistentes ou novos ou alterações laboratoriais.
 

Os investigadores focaram-se na taxa da enteropatia celíaca persistente. As recomendações atuais de tratamento para a doença celíaca baseiam-se em testes de laboratoriais para avaliação da cura, contrariamente à endoscopia e biópsia de acompanhamento.
 

O estudo apurou que as biopsias repetidas demonstraram que 19% das crianças apresentavam enteropatia celíaca persistente. A presença de enteropatia não poderia ser prevista pela presença de sintomas ou pelos níveis de antitransglutaminase IgA tecidual (IgA tTG), o principal teste utilizado na monitorização da doença. Verificou-se que, na segunda biópsia, a IgA tTG encontrava-se elevada em cerca de 43% das crianças com enteropatia persistente e em 32% das biopsias regulares.
 

No passado, as crianças com doença celíaca eram alvo de biopsias de rotina para monitorizar a cura em resposta a uma dieta sem glúten. Neste últimos anos, os exames laboratoriais, como o tTG IgA, têm sido utilizados em vez das biopsias. O estudo foi incitado pela crescente evidência de que muitos adultos com doença celíaca apresentam enteropatia persistente, apesar de não apresentarem sintomas e níveis normais de IgA tTG.
 

Os cientistas referem que apesar de os efeitos a longo prazo ainda serem desconhecidos, a enteropatia persistente pode predispor os doentes pediátricos com doença celíaca para complicações futuras e para um crescimento subótimo.
 

Na opinião dos investigadores, estes resultados sugerem, contrariamente às atuais recomendações, a necessidade de serem realizadas várias biopsias para avaliação da remissão da doença.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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