Diabetes: porque é que as células beta se recusam a libertar insulina?

Estudo publicado na revista “Nature Metabolism”

01 julho 2019
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Uma equipa de investigadores descobriu interações celulares espantosas, relativamente ao comportamento das células beta do pâncreas, no desenvolvimento da diabetes de tipo 2.
 
Os investigadores liderados pela Universidade Técnica de Dresden, Alemanha, observaram que as células beta do pâncreas atuam como agregados altamente ligados, conhecidos como ilhotas, e as suas respostas ao aumento da glicose no sangue são coordenadas por pequenas equipas de “células-líder”. 
 
Um em cada 11 adultos no mundo sofre de diabetes e o número de pacientes com a doença está a aumentar rapidamente. 
 
Na forma mais comum da doença, a diabetes de tipo 2, as células do organismo vão perdendo gradualmente a sensibilidade à hormona insulina. A insulina é produzida pelas células beta no pâncreas e tem como função promover a absorção da glicose pelas células a partir do sangue.
 
Contudo, o aumento da resistência das células à insulina causa níveis de glicose mais elevados que têm consequência prejudiciais para o paciente. Após muitos anos de doença, a produção de insulina acaba por desaparecer e os pacientes com diabetes de tipo 2 têm que injetar a hormona. 
 
Guy Rutter, coautor do estudo, do Imperial College em Londres, Reino Unido, tinha já descoberto evidência daqueles pequenos grupos de “células-líder” em tecidos isolados. 
 
Desta vez, a equipa testou aquela teoria em animais vivos, incluindo ratinhos e peixes-zebra, através de uma inovadora técnica de imagiologia que desenvolveram. Esta técnica permitiu à equipa observar a relação hierárquica das células beta ao vivo.
 
“Nestes organismos-modelo, observámos que quando os níveis de glicose aumentavam, a resposta das células beta originava-se em células-líder temporariamente definidas. Ao apagarmos seletivamente as células-líder, o nível de coordenação das respostas subsequentes à glicose ficou afetado”, explicou Luis Delgadillo Silva, colíder do estudo.
 
Os investigadores calcularam ainda que as células-líder têm uma função de controlo sobre a ilhota. Adicionalmente, a equipa demonstrou que algumas células beta continham uma assinatura molecular única que lhes permitiria serem mais ativas metabolicamente e talvez mais sensíveis à glicose.
 
Com base nestes achados, a equipa irá agora tentar descobrir a importância das células-líder no desenvolvimento da diabetes.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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