Como funcionam os fármacos anti-inflamatórios?

Estudo publicado na revista “The FASEB Journal”

27 fevereiro 2019
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Uma equipa de investigadores da Universidade de Jena, Alemanha, desenvolveu um modelo celular que explica os mecanismos subjacentes à atuação dos fármacos anti-inflamatórios.
 
Os fármacos anti-inflamatórios, como o ibuprofeno, estão entre os mais comumente utilizados a nível global. Estes fármacos tratam principalmente as reações inflamatórias. 
 
Contudo, apesar da sua eficácia e uso frequente, não se percebe ainda os mecanismos de ação daqueles fármacos, assim como alguns efeitos secundários graves que por vezes ocorrem com a sua toma.
 
Segundo Markus Werner, primeiro autor do estudo, a inflamação processa-se em duas fases diferentes, envolvendo dois tipos de células imunitárias.
 
Durante a primeira fase, as células imunitárias (macrófagos) do tipo M1 ficam ativas. Os macrófagos M1 produzem ácidos graxos insaturados que desencadeiam sintomas típicos, como febre e dor. A segunda fase inicia uns dias mais tarde, com a resolução da inflamação. Nesta fase, entram em ação os macrófagos M2, que produzem substâncias mensageiras de resolução da inflamação.
 
Jana Gerstmeier, investigadora no estudo, indicou que os fármacos convencionais intervêm em ambas as fases, de forma igual. Reduzem a produção de substâncias mensageiras pro-inflamatórias, mas também a de mediadores de resolução da inflamação.
 
Apesar de esta ação aliviar a primeira reação aguda inflamatória, afeta também a segunda fase em que a inflamação se resolve. A investigadora apontou que “há um risco de a inflamação não ser travada e de continuar a progredir, pelo que ocorrem doenças secundárias”.
 
Idealmente os fármacos deveriam apenas reduzir a fase aguda, sem afetar a fase de resolução da inflamação. 
 
O modelo celular desenvolvido permite a análise da eficácia dos fármacos em ambas as fases inflamatórias. Os macrófagos M1 e M2 humanos são pré-tratados com o fármaco a ser testado antes de se induzir uma reação inflamatória utilizando bactérias patogénicas. As substâncias mensageiras são depois analisadas. 
 
O modelo apresenta uma enorme sensibilidade, com as substâncias resolutórias da inflamação a serem eficazes em concentrações cerca de 1.000 vezes inferiores às das substâncias sinalizadoras de inflamação da primeira fase inflamatória.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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