Células inativas podem ajudar a compreender desenvolvimento cerebral

Estudo publicado na “BMC Biology”

02 novembro 2016
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A descoberta de neurónios inativos que são lentamente ativados à medida que o cérebro se desenvolve poderá ajudar a compreender melhor o desenvolvimento cerebral, revela um estudo publicado na revista científica “BMC Biology”.
 
O estudo levado a cabo por cientistas da Universidade de Calgary, no Canadá, é o primeiro a explorar o mecanismo celular através do qual o cérebro desativa um conjunto de neurónios e volta a ativá-los de forma gradual, no momento mais indicado.
 
A investigação, que começou como um projeto de estudo do papel das memórias em pacientes com doença de Alzheimer, teve como foco o córtex de associação temporal (TeA, sigla em inglês), uma área cerebral responsável pela aprendizagem e memória. Bin Hu e Taylor Chomiak, autores do estudo, repararam que os neurónios desta área, em cérebros de ratinhos, se mantinham sem qualquer atividade, o que intrigou os cientistas ao ponto de alterarem o foco da investigação para tentarem perceber o que se passava.
 
De acordo com estudos anteriores, o cérebro desenvolve-se através de um mecanismo de maturação hierárquico, em que as funções básicas (como a visão, por exemplo) se desenvolvem primeiro e, só depois de estas estarem consolidadas, é que as funções mais complexas (como a aprendizagem e a memória de longo prazo) se seguem.
 
É por esse facto, explica Hu, que não somos capazes de nos lembrar do que nos aconteceu quando éramos bebés, porque “não há benefícios em termos de evolução que compensem o armazenamento dessa informação na nossa memória de longo prazo”.
 
Hu revela que o estudo levado a cabo demonstra que “há neurónios que estão presentes no cérebro aquando do nascimento, mas permanecem adormecidos e são ativados de forma lenta à medida que o cérebro se desenvolve”. De acordo com os cientistas, este achado desafia o dogma de que todos os neurónios no cérebro estão presentes e completamente ativos desde o nascimento.
 
Os autores explicam, na página da Internet da entidade canadiana, que a informação chega às dendrites dos neurónios e convergem no corpo celular ou soma, onde esta é integrada e enviada através de axónios para as dendrites de outros neurónios.
 
Contudo, os cientistas descobriram que existe uma camada lipídica e proteica temporária entre as dendrites e o soma dos neurónios localizados no TeA. De acordo com Chomiak, essas células encontram-se intactas, mas desligadas funcionalmente, ou seja, ao entrar nos neurónios, a informação depara-se com um barreira que a impede de passar para outras células. Com o tempo, esta barreira vai desaparecendo e as células vão “acordando” lentamente e começam a comunicar entre si. É neste momento que os cientistas acreditam que se começam a formar as memórias de longo prazo.
 
Hu e Chomiak acreditam que esta descoberta é importante para melhor compreender o mecanismo de aprendizagem e as possíveis implicações em determinadas condições do neurodesenvolvimento. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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