Café seguro em pacientes com arritmia cardíaca

Estudo publicado na “JACC: Clinical Electrophysiology”

19 abril 2018
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O consumo de café é seguro para a maioria dos pacientes com doenças cardiovasculares, indicou um novo estudo.
 
Muitos médicos aconselham os seus pacientes a evitarem o consumo de bebidas ou alimentos com cafeína. No entanto, o novo estudo conduzido por investigadores australianos demonstrou que além de consumir cafeína ser seguro na maioria dos pacientes cardíacos, este composto pode reduzir a frequência das arritmias.
 
Para verificar os efeitos da cafeína sobre os pacientes com problemas de ritmo cardíaco, conhecidos como fibrilação auricular, os investigadores liderados por Peter Kistler, diretor de Eletrofisiologia no Hospital Albert e Instituto do Coração e Diabetes Baker em Melbourne, analisaram oito estudos publicados anteriormente.
 
Foi apurado que beber café tinha feito diminuir a frequência de episódios de fibrilação auricular em 6% num grupo de mais de 228.000 pacientes. Noutra análise de quase 116.000 pacientes foi apurada uma redução de 13% naquele risco.
 
Não foram verificadas arritmias provocadas pela cafeína nas câmaras inferiores do coração, conhecidas como arritmias ventriculares. Mias, um estudo com 103 pacientes de enfarte do miocárdio apurou que o consumo de cerca de 353 miligramas de cafeína por dia tinha melhorado o ritmo cardíaco dos mesmos. Um café pode possuir entre 80 a 100 miligramas de cafeína.
 
Contudo, dois estudos indicaram um aumento no risco de arritmias ventriculares em pacientes que consumiam nove ou 10 chávenas cafés por dia (cada chávena da bebida com 95 miligramas). 
 
Relativamente às bebidas energéticas, cerca de 75% dos pacientes com problemas cardíacos que consumiam duas ou três dessas bebidas (uma bebida destas pode conter entre 160 e 500 miligramas de cafeína concentrada) por dia apresentavam palpitações no espaço de 24 horas. Os investigadores desaconselham assim este tipo de bebida aos pacientes com problemas cardíacos.
 
A cafeína atua como um estimulante no sistema nervoso central e bloqueia a adenosina, que é um químico que pode desencadear a fibrilação atrial, disse Peter Kistler.
 
O investigador conclui que os estudos sugerem que o consume de até 300 miligramas de cafeína diárias poderá ser seguro nos pacientes com arritmia cardíaca, mas que os pacientes que sentem palpitações após beberem café, devem evitar o seu consumo. Peter Kistler advertiu que há ainda muito para descobrir sobre os efeitos da cafeína.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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