Aspartame pode impedir a perda de peso

Estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”

25 novembro 2016
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Investigadores americanos descobriram um mecanismo que pode explicar por que motivo o aspartame, um substituto do açúcar, pode não promover a perda de peso, dá conta um estudo publicado no “Proceedings of the National Academy of Sciences”.
 

Os substitutos do açúcar, como o aspartame, são concebidos para promover a perda de peso e diminuir a incidência da síndrome metabólica. Contudo, vários estudos têm indicado que estes produtos não funcionam muito bem e podem realmente ser prejudiciais.
 

Os investigadores do Hospital Geral de Massachusetts, nos EUA, constataram que o aspartame bloqueia a ação de uma enzima intestinal, a fosfatase alcalina intestinal, que já tinha sido associada à prevenção de obesidade, diabetes e síndrome metabólica.
 

Em 2013, os investigadores, liderados por Richard Hodin, já tinham demonstrado que a administração de fosfatase alcalina intestinal a ratinhos com uma dieta com elevado teor de gordura poderia impedir o desenvolvimento de síndrome metabólica e reduzir os sintomas nos animais já afetados pela condição.
 

A fenilalanina é conhecida por inibir a ação da fosfatase alcalina intestinal. O facto de a fenilalanina ser produzida quando o aspartame é digerido levou os investigadores a testar se as propriedades inibitórias podem explicar o facto de o aspartame não ter efeito na perda de peso.
 

O estudo apurou que a atividade da fosfatase alcalina intestinal ficava reduzida quando a enzima era adicionada a uma solução que continha um refrigerante adoçado com aspartame, mas permaneceu inalterada quando adicionada a uma solução com bebida açucarada.
 

A fosfatase alcalina intestinal é produzida principalmente no intestino delgado. Os investigadores constataram que a injeção de uma solução de aspartame nos segmentos do intestino delgado de ratinhos reduziu significativamente a atividade da enzima. Por outro lado, a atividade da fosfatase alcalina intestinal permaneceu inalterada em segmentos de intestino injetados com uma solução salina.
 

Posteriormente, os investigadores utilizaram quatro grupos de ratinhos para analisar os efeitos do consumo de bebidas ou de outros produtos que continham aspartame. Dois grupos foram alimentados com uma dieta normal, um bebeu água potável com aspartame e o outro bebeu apenas água. Os outros dois grupos foram alimentados com uma dieta rica em gordura, juntamente com infusão de aspartame ou água pura.
 

Os animais que foram alimentados com uma dieta normal e que ingeriram aspartame consumiram o equivalente a cerca de três latas e meia de refrigerante diariamente. Os animais alimentados com uma dieta com alto teor de gordura e que ingeriram aspartame consumiram o equivalente a quase duas latas.
 

Apesar de ter sido observada uma diferença pequena entre os pesos dos dois grupos alimentados com uma dieta normal, os ratos com uma dieta rica em gordura que ingeriram aspartame aumentaram mais de peso, comparativamente com aqueles que beberam água pura.
 

O estudo apurou que os animais que ingeriram aspartame, nos dois tipos de dieta, apresentaram níveis mais elevados de açúcar no sangue comparativamente com os restantes, o que é indicador da intolerância à glicose. Estes ratinhos também apresentaram níveis mais elevados da proteína inflamatória TNF-alfa no sangue, que sugere o tipo de inflamação sistémica associada à síndrome metabólica.
 

Richard Hodin conclui que este estudo demonstrou que a inibição da fosfatase alcalina intestinal causada pelo aspartame pode ajudar a explicar por que razão a utilização desta substância é contraproducente para a saúde.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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