Afinal sentimos a dor tão rapidamente como o toque

Estudo publicado na revista “Science Advances”

25 julho 2019
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Até à data, acreditava-se que o toque era transmitido ao cérebro mais rapidamente que a dor, devido ao facto de o toque comunicar com o cérebro através de nervos revestidos por uma camada grossa de mielina, o que ajuda na condução dos sinais.
 
Em contraste, acredita-se que os sinais de dor serão transmitidos por nervos com uma camada muito fina de mielina.
 
Alguns mamíferos possuem recetores de dor ultrarrápidos devido a camadas muito grossas de mielina que conduzem os sinais da forma mais veloz possível.
 
Saad Nagi, o principal engenheiro investigador do Departamento de Medicina Clínica e Experimental da Universidade de Linköping, Suécia, propôs-se analisar, juntamente com uma equipa, se o mesmo se passava com os nervos transmissores dos seres humanos.
 
“A capacidade de se sentir dor é fundamental à sobrevivência”, logo não há explicação para este estímulo ser mais lento do que o toque, explicou.
 
A equipa recrutou e analisou 100 participantes saudáveis. Através de uma técnica conhecida como microneurografia, a equipa visualizou e seguiu o fluxo neural desde os nervos periféricos ao músculo e pele. Assim, conseguiram seguir os sinais de toque e dor nas fibras nervosas de um único neurónio e procuraram os neurónios que tivessem os sinais tão rápidos quanto o toque, mas que também se comportassem como um nociceptor (recetor de estímulos aversivos).
 
O estudo revelou que 12% dos neurónios com uma camada grossa de mielina têm a mesma propriedade dos neurónios de dor, pelo que podem detetar toques mais agressivos como o beliscar. Já os recetores e neurónios de dor não reagem ao toque leve, mas têm uma reação igualmente rápida aos do toque, quando recebem estímulos de dor.
 
Além disto, foram analisadas pessoas com danos nervosos que os fez perder células nervosas com camadas grossas de mielina, sem afetar as de camada fina. Como resultado, observou-se que estas pessoas não sentem toques leves.
 
Este estudo pode ajudar os médicos a compreender e diagnosticar doenças relacionadas com a dor.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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