A ligação emocional entre a mãe e filho...

... perdura para além da separação física

22 outubro 2001
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O nascimento pode cortar a ligação física entre a mãe e o filho mas a ligação emocional entre os dois permanece durante muito mais tempo. De certeza que esta ideia não é nova para si mas carecia de fundamentação científica que chegou pelas mãos da equipa de investigação da Stanford University (EUA), coordenada de Amy Kerivan.
 

 

Esta equipa realizou um estudo psicofisiológico da relação mãe/filho. Neste caso, estudaram os aspectos psicológicos (ansiedade) e fisiológicos (frequência cardíaca) da resposta de pares mãe/filho a uma breve separação seguida de reencontro.
 

 

Os resultados do trabalho desta equipa indicam que as mães e os bebés respondem a situações de estresse de forma muito semelhante e que as respostas podem estar condicionadas pelo estado psicológico da mãe durante a gestação
 

 

De acordo com A. Kerivan, a gestão do stress durante a gestação é muito importante, principalmente quando se trata do primeiro filho já que, tipicamente, é uma gravidez em que a ansiedade é maior e as incertezas relativamente à sua evolução são muitas. Em entrevista à agência Reuters, A. Kerivan afirmou: «A gestão da ansiedade e do stress durante a gestação é muito importante pois é nesta fase que se estabelecem os vínculos emocionais entre os pais e o bebé em desenvolvimento.»
 

 

Separação e reencontro
 

 

A equipa coordenada por Kerivan mediu a frequência cardíaca de 36 mulheres e respectivos filhos, aos nove meses de idade, simultaneamente para determinar os efeitos da ansiedade resultante de uma breve separação e reencontro posterior entre mãe e filho. Logo após o reencontro, a mãe lia para o bebé ou ambos descansavam.
 

 

Os investigadores verificaram que durante nos momentos de separação e de reencontro, as frequências cardíacas da mãe e do bebé aumentam e diminuem de modo muito similar, acompanhando-se mutuamente.
 

 

Além disso, os investigadores também constataram que o nível de ansiedade durante a gestação, classificado pela própria mulher como alto ou baixo, foi associado a mudanças na frequência cardíaca do bebé durante os períodos de separação e reencontro.
 

 

Por exemplo, as mães que classificaram a ansiedade durante a gestação como alta apresentaram, de modo geral, alterações intensas na frequência cardíaca registada durante os períodos de separação e momentos de reencontro com o seu bebé e o mesmo ocorreu com o seu filho. Verificou-se o oposto nos casos em que as mães relataram níveis de ansiedade reduzidos durante a gravidez.
 

 

De acordo com os cientistas que realizaram este trabalho, a administração dos níveis de ansiedade, mesmo quando é moderada, parece estar associado às respostas fisiológicas quer da mãe quer do bebé a situações de tensão emocional como as de separação e reencontro.
 

 

Os resultados deste estudo foram apresentados este mês no encontro anual da Society for Psychophysiological Research, em Montreal (Quebec) e contribuem, indubitavelmente, para a compreensão da psicofisiologia da relação afectiva que existe entre mãe e filho desde a gestação e que perdura após o nascimento.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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