70% dos doentes que morreram à espera de cirurgia estavam dentro dos tempos de resposta

Em 2016 registaram-se 2.600 cancelamentos por óbito

29 abril 2019
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Cerca de 70% dos doentes que morreram enquanto estavam em lista de espera para cirurgia em 2016 encontravam-se dentro dos tempos de resposta clinicamente aceitáveis e mais de metade tinha patologias do foro oftalmológico, ortopédico ou situações como hérnias.
 
Os números oficiais são recordados pela ministra da Saúde, Marta Temido, em entrevista à agência Lusa, depois de o bastonário da Ordem dos Médicos ter recentemente lamentado que nunca se tivesse esclarecido a situação dos mais de 2.600 doentes que morreram enquanto aguardavam uma cirurgia, apurando as causas concretas.
 
A ministra sublinha que foi feita a análise aos dados dos doentes que morreram enquanto estavam em lista de espera em 2016 e acrescenta que o número de cirurgias canceladas por óbito tem apresentado uma “percentagem relativamente constante” nos últimos anos.
 
“Se pegarmos nos números, o que verificamos é que entre 2010 e 2016 os números de episódios cancelados por óbito oscilam entre 1% e 2%”, explica a ministra.
 
Aliás, Marta Temido diz mesmo que o cancelamento de cirurgias por morte de doentes com cancro foi em 2016 mais baixo do que nos dois anos anteriores: em 2014 foram 237, em 2015 foram 260 e em 2016 foram 231.
 
Esta questão foi novamente suscitada pelo bastonário Miguel Guimarães, que foi o coordenador do grupo técnico criado pelo Ministério para avaliar o sistema de gestão das listas de espera no SNS.
 
Este grupo técnico independente avaliou várias questões técnicas na sequência de um relatório do Tribunal de Contas de 2017 que identificou falhas na gestão nos sistemas de gestão das listas de espera e apontava que mais de 2.600 morreram enquanto estavam em lista de espera a aguardar cirurgia.
 
Apesar de esta questão não se enquadrar no âmbito do grupo técnico que coordenou, o bastonário dos Médicos lamentou que não tenha sido até hoje um assunto devidamente avaliado e esclarecido.
 
Para Miguel Guimarães, era importante avaliar o caso de todos esses doentes para perceber se morreram por um enfarte ou um acidente, por exemplo, ou se morreram "por evolução da sua própria doença enquanto esperavam por cirurgia".
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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