"Na crista da onda", ALERT em destaque no E-Health Insider
12 abril 2011
  |  Partilhar:

Blackpool tem as suas Urgências funcionando com o sistema de prontuário clínico eletrônico ALERT® e pretende agora estendê-lo a todo agrupamento hospitalar. Sarah Bruce foi averiguar.

 

Há dezesseis meses, a Blackpool Teaching Hospitals NHS Foundation Trust (hospitais universitários pertencentes ao sistema de saúde britânico) tornou-se o primeiro agrupamento hospitalar das regiões Norte, Centro e Leste da Inglaterra a utilizar a Additional Supply Capability and Capacity (central de compras do NHS) para a aquisição de um sistema de prontuário clínico eletrônico.

 

Ao dar este passo, tornou-se também o primeiro agrupamento hospitalar da região a rejeitar o sistema iSoft Lorenzo disponibilizado pelo fornecedor de serviços local CSC, ao abrigo do Programa Nacional de Informatização do NHS, constituindo o primeiro cliente NHS da empresa portuguesa ALERT.

 

A criação de uma visão

 

Sendo uma instituição com tantas responsabilidades, o agrupamento hospitalar considera agora ter sido muito otimista em relação à data de funcionamento do produto, envolvendo a sobreposição de uma camada de funcionalidades clínicas sobre o seu sistema de administração de pacientes IMS Maxims.

 

O agrupamento hospitalar tinha informado a eHealth Insider que parte do ALERT® EDIS iria operar no início do Verão passado. No entanto, a operação foi adiada para Novembro de 2010. O agrupamento explica este adiamento com a necessidade de obras de grande envergadura nas instalações das Urgências.

 

Não obstante, a operação correu bem. Ao longo dos últimos quatro meses a informação de pacientes que recorreram às Urgências foi recebida através de mensagens por interface dos centros de urgência geridos pelos cuidados de saúde primários.

 

Mais de 470 funcionários receberam formação para utilizar o sistema na triagem de pacientes, registro de tratamentos e procedimentos, requisição de testes de diagnóstico e visualização de resultados, monitorização do estado dos pacientes, registro de datas de alta e resultados clínicos.

 

A Dra. Victoria Ellarby, diretora do programa Vision, declarou ao eHealth Insider: "O sucesso de tudo isto reside na liderança clínica desde o início. Este projeto situa-se no contexto do desenvolvimento estratégico do agrupamento hospitalar e não apenas na esfera da equipe de tecnologias da informação".

 

Vision (visão) foi o nome escolhido para o projeto pelo pessoal do agrupamento hospitalar, que parece ter aderido à ideia, apesar do ceticismo inicial por parte do departamento de tecnologias da informação relativamente à reação dos colegas à mudança para um ambiente isento de papel.

 

O Dr. Simon Tucker, consultor das Urgência, afirmou: "Quando iniciamos o projeto, enviamos um e-mail às pessoas perguntando se queriam estar envolvidas. No espaço de uma hora recebemos mais de uma dezena de respostas a dizer "sim". As pessoas quase se atropelavam para serem envolvidas".

 

O agrupamento hospitalar realiza, desde o início, reuniões quinzenais onde membros de todas as especialidades participam com os seus comentários.

 

Ao gosto de Blackpool

 

Adicionalmente, no momento em que o agrupamento hospitalar assinou o contrato com a ALERT, a empresa enviou um analista funcional para conhecer a maneira de trabalhar do hospital, garantindo que o sistema estaria "ao gosto de Blackpool".

 

Ellarby afirmou ainda: "Todo o conteúdo clínico e os menus de lista pendentes deveriam ir ao encontro das necessidades do pessoal clínico. Houve também grande necessidade de desenvolver interfaces, o que foi difícil. Mas nós tínhamos preparado um motor de integração que ajudou muito nesse trabalho".

 

Apesar do sistema vir de Portugal, o agrupamento hospitalar afirma que não houve problemas com a sua anglicização. O fato da maioria dos formadores da ALERT serem portugueses não trouxe também qualquer problema.

 

Roger Wallhouse, Diretor Geral da ALERT, afirma que a construção do sistema para o NHS foi muito diferente.

 

"A construção deste modelo para Blackpool foi, para nós, construir esta solução para o resto do NHS. O tamanho e recolha de informação para hospitais do NHS é muito diferente se compararmos com os hospitais privados; este processo requer a integração de muito mais funcionalidades".

 

Roger Wallhouse ainda acrescentou: "O fato de termos tido o envolvimento de todos na implantação foi importante, já que, apesar deste ter acontecido inicialmente nas Urgências, trata-se de um sistema hospitalar. Tudo o que for feito nas Urgências será disseminado por todo o agrupamento hospitalar".

 

A teoria do big bang

 

No momento em que o agrupamento hospitalar comprou o sistema, tencionava efetuar uma implementação ao estilo do big bang. No entanto, mais uma vez a instituição fez uma revisão ao plano e alterou-o para que este fosse baseado em funcionalidades.

 

Helen Mainon, a gestora de mudança de negócio da ALERT para o agrupamento hospitalar explicou: "Perguntamos aos funcionários se gostariam de ir para casa na sexta-feira utilizando papel e voltarem na segunda-feira e terem de utilizar apenas computadores. Todos eles disseram que não".

 

Em vez disso, Blackpool entrou em operação com o registro, monitorização e comunicação de pedidos durante a primeira semana, seguindo a documentação clínica.

 

"Isto fez com que os funcionários se sentissem mais confiantes e progredissem por pequenas etapas. Recomendamos vivamente este tipo de abordagem e vamos continuar a adoptá-la para o resto da implementação, visto que tem funcionado tão bem", acrescentou Helen Mainon.

 

O agrupamento hospitalar admite ter havido uma pequena dose de pânico quando o sistema foi abaixo durante cerca de duas horas no segundo dia, criando planos de continuidade do negócio.

 

O Dr. Simon Tucker revela: "Isto fez com que uma ou duas pessoas recusarem terminantemente a utilizar o sistema. Mas não se registrou qualquer outra parada não planejada do serviço desde então e as poucas pessoas que estavam contra o seu uso são agora as que mais professam a sua utilização".

 

Aumenta-se a eficiência - mas perdem-se funcionários

 

O agrupamento hospitalar crê que os principais benefícios irão revelar-se quando o sistema estiver mais amplamente instalado. Espera-se, por exemplo, que se verifique uma redução nos incidentes clínicos e na duração das estadias nas internações.

 

No entanto, são já notórios "grandes ganhos em termos de tomadas de decisão clínica mais rápidas e do acesso simultâneo por parte de múltiplos usuários". Ou, segundo a perspectiva do Dr. Tucker, "O sistema tem a capacidade de fazer o mesmo que fazíamos antes, mas muito mais rápido. "

 

"Antigamente, tínhamos que entrar constantemente no sistema para ver se já havia resultados disponíveis. Agora o sistema avisa-nos assim que estes são disponibilizados. Só o temos há quatro meses, sendo que ainda é um diamante bruto,  mas estamos trabalhando no sentido de polir as suas arestas."

 

Paralelamente aos benefícios clínicos, o caso de negócio do agrupamento hospitalar referia que a implementação do sistema poderia resultar em poupanças em termos financeiros, tal como a extinção de cerca de 400 postos de trabalho ao nível de pessoal administrativo, secretários médicos, pessoal dos registros clínicos e ainda pessoal das auditorias e registro de dados.

 

Graham afirma ainda: "Algumas destas dispensas de trabalho devem-se a dificuldades financeiras que o agrupamento hospitalar está atravessando - mas antevemos que sejam dispensados 400 dos nossos 4,500 funcionários, oriundos de todos os grupos.”
Por outro lado, o agrupamento hospitalar ainda não precisou contratar pessoal informático adicional para prestar apoio ao início da operação. Seis dos 15 funcionários da ALERT têm permanecido em campo em momentos diferentes.

 

O agrupamento hospitalar possui ainda um sistema de apoio dedicado com formadores, que se encontra disponível 24 horas por dia, durante um mês, e que inclui profissionais de apoio à mudança clínica e elementos da equipe de gestão de projeto. A instituição planeja ainda empregar três informáticos para completar a implementação.

 

Começar por baixo, pensar em voar alto

 

O agrupamento hospitalar está agora planejando instalar a prescrição eletrônica e a administração de medicação por todo o serviço de Urgência, assim como desenvolver uma ligação URL que permitirá, através de um clique, acessar as imagens PACS a partir do início de Junho.

 

A instituição planeja, até o fim do ano, ter a comunicação de pedidos em todo o agrupamento hospitalar, nos módulos do INPATIENT e OUTPATIENT, assim como documentos clínicos nas consultas ambulatoriais de cardiologia e em unidades de decisão clínica.

 

Espera-se que a instalação integral da documentação clínica pelas restantes especialidades e que a prescrição eletrônica, administração de medicação e monitorização de pacientes estejam concluídas e funcionais em todo o agrupamento hospitalar até o final de 2012.

 

Uma das áreas que tem causado especial entusiasmo ao agrupamento hospitalar é a forma como o sistema pode ser utilizado através de uma ótica de desempenho. O Dr. Simon Tucker afirma: "Os nossos indicadores de desempenho estão prestes a sair. Possuímos um sistema completo de avaliação nos nossos serviços de Urgência. Existe uma possibilidade de perda de receitas se não fizermos tudo corretamente.

 

"A informação é recolhida neste sistema, que é configurado por nós. Assim, em vez de utilizarmos apenas para registrar quando podemos fazer algo, tencionamos utilizá-lo para tomarmos conhecimento sempre que estamos a transgredir algo".

 

O agrupamento hospitalar já consegue monitorizar com relativa facilidade o progresso da norma de tratamento ou alta no período de quatro horas estabelecido para as Urgências.

 

"É possível estabelecer um protocolo e assegurarmo-nos que este é seguido. Depois, quando o paciente está para deixar as Urgências, o sistema assegura que foi tudo feito", afirma o Dr. Simon Tucker. "Isto não é uma repetição de um Mapa de Medicina. Isto vai muito mais além disso. Isto significa a interpretação de resultados, guiar os profissionais através das decisões. Isto é, com efeito, algo fantástico".
Graham afirma que esta é uma característica que realmente distingue o ALERT® dos restantes sistemas baseados em Windows.

 

A opção mais fácil?

 

Pode-se argumentar que o agrupamento hospitalar optou pelo caminho mais fácil ao decidir não tocar no seu sistema IMS Maxim de administração de pacientes, tendo-o sobreposto com a camada de funcionalidades clínicas.

 

Graham argumenta: "Quando começamos, não era o sistema de administração de pacientes (PAS) que pretendíamos mudar. Apenas queríamos aproveitar os benefícios que trazem as funcionalidades clínicas, e depressa".

 

Roger Wallhouse acredita que uma empresa estrangeira poderia ter enfrentado mais dificuldades ao tentar implementar um PAS. "Porque esta é, fundamentalmente, uma solução clínica, não temos que lidar com tantos aspectos com os quais outras organizações têm que lidar a nível de PAS", declara.

 

"As funcionalidades clínicas são bastante adaptáveis, o que não acontece com o PAS". Embora Blackpool nunca tenha declarado formalmente ter abandonado o NPfIT (programa nacional de informatização para o NHS), não parece considerar o Lorenzo como uma opção viável em termos de mudança de PAS.

 

Graham acrescenta ainda: “Muitas pessoas afirmam que ‘tudo o que fizeram foi funcionar com a aplicação nas Urgências’. Isto é verdade, mas temos um prontuário clínico eletrônico completo nas Urgências e estamos implementando-o em todo o agrupamento hospitalar.

 

"É uma abordagem diferente em relação à de outros, mas funciona. Se considerarmos Morecambe Bay (que está tentando implementar a versão mais recente do Lorenzo há pelo menos dois anos), esta instituição vem tentando que tudo funcione e ainda não o conseguiram".
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentário

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.