Recém-nascido: problemas comuns do recém-nascido saudável

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Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 19-Jun-2000

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Reviewed by:

Dr. José Matos - Pediatra - 27-Jul-2009

Algumas alterações apresentadas pelos recém-nascidos e que preocupam as mães estão, com frequência, relacionadas com o nascimento ou são próprias deste período etário e, por isso, transitórias, sem consequências importantes para o bebé. Estas alterações devem ser explicadas aos pais e, quando necessário, devem ser devidamente orientadas. Relativamente a traumatismos do parto, existem factores que podem facilitar o seu acontecimento, nomeadamente se o bebé é grande (macrossómico) ou a bacia da mãe estreita (desproporção fetopélvica), se é prematuro, se está em posição sentado (pelve), se o parto é prolongado, etc.
 

Por vezes, as sequelas de "partos traumáticos" são graves, no entanto, frequentemente surgem lesões benignas, que serão apresentadas de forma resumida: Bossa (caput succedaneum) e cefalohematoma: a bossa é uma tumefacção (inchaço) na zona de apresentação da cabeça ao nascimento, por edema do couro cabeludo, que pode estender-se sobre as suturas (união dos ossos cranianos). Habitualmente, desaparece nos primeiros dias de vida e não precisa de nenhum tratamento. Quando são bossas grandes, pode surgir icterícia com necessidade de fototerapia ("luzes"). O cefalohematoma é uma hemorragia limitada à superfície de um osso craniano (habitualmente o parietal), muitas vezes só notada algumas horas após o nascimento e que não passa as linhas de sutura. Por vezes, pode haver uma pequena fractura associada. Normalmente, não é necessário qualquer tratamento (pode surgir icterícia) e a maioria dos cefalohematomas é reabsorvida entre a 2ª semana e o 3º mês de vida, conforme o tamanho. Só em situações raras há complicações graves associadas.
 

Alguns cefalohematomas persistem por anos como protuberâncias ósseas, indolores e sem qualquer problema. A manipulação e utilização de instrumentos durante o parto (cesariana, fórceps, ventosa) podem levar a lesões no couro cabeludo ou face, resultantes da aplicação desses instrumentos, que muitas vezes não necessitam de tratamento, apenas de limpeza, desinfecção e medicação para as dores (paracetamol).

 

A fontanela anterior, ou "moleirinha", localiza-se no topo do crânio. Tem o formato de um losango, é mole e coberta por uma camada fibrosa. Esta zona pode ser tocada com segurança. A função da "moleirinha" é permitir o crescimento do cérebro. Esta área pulsa normalmente com cada batimento cardíaco. O seu encerramento acontece quando o bebé tem entre 12 e 18 meses de idade.
 

Devido ao aumento súbito da pressão dentro do tórax do recém-nascido, podem surgir pequenas hemorragias na cara e pescoço, assim como nos olhos (subconjuntivais e retinianas), que não necessitam de tratamento e são temporárias. O edema das pálpebras (olhos inchados) pode ter várias causas, desde corresponder a uma bossa com atingimento dessa região, a resultar de alterações de pressão no parto ou, mais frequentemente corresponder a uma alergia à pomada/gotas utilizadas para profilaxia de infecções oculares. Também não é necessário qualquer tratamento e regride nos primeiros dias de vida.
 

A língua normal dos recém-nascidos tem um freio curto e estreito que se insere no soalho da boca. Este freio ganha elasticidade com o crescimento e movimentos, considerando-se curto quando a ponta da língua não ultrapassa os lábios.
 

Ao observar o corpo do recém-nascido, a mãe pode notar pequenas alterações, que na sua maioria regridem de forma natural. Entre estas está, por exemplo, a hérnia umbilical, que é mais frequente nos bebés de baixo peso ao nascimento (menos de 2.500g), nas meninas e na raça negra. Apresenta-se como uma saliência mole a nível do umbigo, que aumenta de tamanho com o choro, tosse ou esforço e é facilmente redutível. A maior parte das hérnias umbilicais desaparece até aos 4 anos, altura a partir da qual pode estar indicada a intervenção cirúrgica. Ao nível do abdómen, também é frequente a diástase dos músculos rectos, ou seja, os músculos da parede abdominal não se unem na linha média, notando-se uma saliência fusiforme nesse local, com os movimentos da criança. Habitualmente, desaparece no primeiro ano de vida. Por vezes, a parte inferior do esterno (apêndice xifóide) é muito proeminente, particularmente naqueles com diástase dos rectos e palpa-se uma estrutura dura no peito do bebé, que não tem problema. A nível do coto umbilical é importante a observação de sinais inflamatórios (rubor, cheiro fétido ou exsudado) sugestivos de onfalite. A presença destes sinais é motivo de consulta urgente por Pediatra. De uma forma geral, a queda do coto umbilical acontece até ao 8º dia de vida. A presença de uma formação vermelha no fundo da fossa umbilical, sugere a existência de um granuloma umbilical. Esta formação produz uma secreção serosa e a sua persistência requer observação e orientação do pediatra.
 

Nos testículos, verifica-se, com frequência, a presença de líquido, o chamado hidrocelo, geralmente transitório, a maioria desaparecendo até 1 ano e a quase totalidade até aos 4 anos de idade. Aqueles que persistem para além desta idade deverão ser operados. Normalmente, o prepúcio do recém-nascido é apertado e aderente sendo totalmente contra-indicado o descolamento. A fimose no recém-nascido é fisiológica e, portanto, normal. A erecção do pénis é comum e também não tem importância. Nas meninas, é possível haver um aumento do tamanho do clitóris, por efeito hormonal materno e, com frequência, na primeira semana, um corrimento vaginal esbranquiçado, que é normal e desaparece.
 

Nos recém-nascidos de ambos os sexos, é possível ver-se um aumento das mamas, também por efeito dos estrogénios maternos, por vezes com saída de leite. Não devem ser espremidos e não é necessário qualquer tratamento, excepto se surgirem sinais inflamatórios. Enfim, todas estas são manifestações possíveis no período neonatal, que felizmente desaparecem ou evoluem de forma positiva na grande maioria dos casos. Assim, não é necessário, para além da observação, qualquer tipo de intervenção médica, podendo a mãe ser descansada.

 

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Dra. Elisa Proença Fernandes - Pediatra - 19-Jun-2000

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Dr. José Matos - Pediatra - 27-Jul-2009



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