Nódulos e massas palpáveis

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Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 04-Abr-2001

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A palpação de uma massa ou nódulo deve ser sempre investigada clinicamente e com meios auxiliares de diagnóstico, se necessário. A origem de uma massa nem sempre é evidente. Qualquer estrutura anatómica local pode ser responsável. Nódulos subcutâneos bem delimitados, móveis, múltiplos, de dimensões estáveis, apontam, em geral, para um processo benigno (quistos sebáceos, lipomas). Na dúvida, a remoção cirúrgica de um deles, sob anestesia local, é diagnostica.

 

Estas estruturas são benignas e não malignizam. Sinais que obrigam a uma investigação mais detalhada incluem nódulos irregulares, fixos às estruturas subjacentes, ou coloridos (violáceos, vermelhos, negros). Na dúvida, uma biopsia incisional (remoção de um fragmento), ou excisional (remoção completa) é necessária. Entre as doenças malignas a considerar incluem-se nódulos leucémicos (leukemia cutis), melanomas, melanomas amelanóticos (não pigmentados), linfomas, carcinomas avançados com metástases cutâneas, sarcomas (tumores do tecido conjuntivo) e, obviamente, os tumores primários da pele (carcinoma epidermóide e basocelular). A avaliação clínica pode sugerir um diagnóstico, mas a confirmação exige uma biopsia. Um erro comum é a administração empírica de anti-inflamatórios não esteróides ou de corticosteróides, que são potentes anti-inflamatórios e imunosupressores. Uma resposta parcial a estas drogas pode dar uma falsa sensação de segurança.

 

Mesmo tumores malignos podem ter um componente inflamatório e responder, parcial e temporariamente, a fármacos anti-inflamatórios. A palpação de uma massa intra-abdominal obriga, em regra, a uma avaliação extensa, até se obter um diagnóstico. O recurso a técnicas de imagem (Rx, TAC, ultrasonografia, ressonância nuclear magnética) é comum e pode sugerir um diagnóstico ou o sítio de origem da massa (fígado, baço, estômago, pâncreas, retroperitoneu, rim, gânglios linfáticos, etc.). A confirmação do diagnóstico obriga, em regra, a uma biopsia ou aspiração (massa cística).

 

A obtenção de um fragmento de biopsia extenso pode requerer uma laparoscopia ou laparotomia. De notar que, às vezes, o próprio exame patológico não é diagnóstico (carcinoma? sarcoma? linfoma? tumores de células germinais?). Nestes casos, o uso de técnicas recentes, como a citogenética, marcadores celulares - flow cytometry, imunohistoquímica pode ser útil. Ainda e sempre, no domínio das doenças malignas o diagnóstico rápido e precoce é crítico. Embora haja tumores de crescimento muito lento, outros têm um crescimento explosivo (e.g., certos linfomas, leucemias agudas, tumores de células germinais) e o diagnóstico rápido é fundamental. Excepcionalmente, algumas destas neoplasias apresentam-se como autênticas emergências médicas. O caso clássico é o linfoma de Burkitt esporádico. Um outro problema comum é a palpação de nódulos mamários nas mulheres. A auto-palpação mamária mensal (palpação feita pela mulher) e o exame clínico periódico são importantes no seu despiste e devem ser complementados pela mamografia periódica e, ocasionalmente, pela ultrasonografia. A confirmação do diagnóstico obriga à obtenção de tecido para o exame histológico (biópsia incisional, remoção cirúrgica, mastectomia simples).

 

O diagnóstico precoce teve um grande impacto na redução da mortalidade específica por cancro da mama. A Sociedade Americana de Oncologia (American Cancer Society) reafirmou a sua recomendação: A mamografia deve começar aos 40 anos de idade; realização de um exame físico anual; uma mamografia anual ou de 2 em 2 anos nas mulheres com idade entre os 40 e 50 anos; uma mamografia anual em mulheres com 50 ou mais anos de idade.

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Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 04-Abr-2001



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