Metástases ósseas

Article by:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 10-Oct-2000

  |  Partilhar:

Reviewed by:

Dr. António Marinho - Internista - 21-Jun-2009

As metástases ósseas são fruto da disseminação à distância de um tumor, com invasão do esqueleto ósseo, traduzindo-se habitualmente por dor intratável com as medidas convencionais. Devemos considerar que todo o tipo de tumores pode disseminar para o osso, incluindo tumores hematológicos (linfomas), porém, os mais comuns são os tumores da mama, do pulmão e da próstata. A área mais atingida são os ossos da coluna vertebral, embora qualquer osso longo do esqueleto apendicular e calote craniana possa ser atingido.
 

As metástases podem ser de 2 tipos: líticas, formando “ buracos” nos ossos, ou blásticas, formando condensações ósseas malignas nos locais atingidos.

 

Factores de risco

Devíamos pensar que o único factor de risco é a presença de um tumor não tratado ou não diagnosticado, que é obviamente o que acontece na maioria dos casos. No entanto, uma metástase óssea pode ser a forma de apresentação da recidiva de um tumor já tratado, tomando-se como exemplo o tumor da mama com metástases ósseas, que pode surgir muito anos depois de se pensar curado.

 

Sinais e sintomas

Os sintomas podem ser de 2 tipos: os relacionados directamente com a invasão óssea e os relacionados com a libertação de cálcio do osso para o sangue (hipercalcemia). Os primeiros são essencialmente dores com características muito especiais. São piores durante o descanso e são, sobretudo, nocturnas, contínuas, de grande intensidade e não aliviadas com analgésicos comuns. Por vezes, traduzem a fractura de um osso, podendo ser diagnosticadas com uma paralisia, decorrente de uma fractura vertebral com compressão medular. Os sintomas da hipercalcemia são sobretudo relacionados com a toxicidade do cálcio a nível renal, impedindo a concentração da urina, promovendo uma diurese maciça e desidratação; e, a nível cerebral, podendo induzir um quadro de alterações graves do comportamento com confusão e agitação.

 

Diagnóstico

O diagnóstico é fácil de efectuar: todo o tipo de quadro doloroso com as características atrás referidas ou hipercalcemia não explicada deve levar a exames radiográficos para caracterizar os locais atingidos. Um bom exame de rastreio é o cintilograma ósseo, que pode ser usado para estadiar tumores que metastizam frequentemente para o osso, como o do pulmão, e que podem detectar lesões assintomáticas, alterando o estádio e tratamento do tumor. O cintilograma também serve como método de rastreio para caracterização de dores ósseas em doentes com tumores conhecidos, pois, com a excepção do mieloma múltiplo, as outras metástases dão marcação radioactiva nos ossos atingidos. Após este exame de rastreio, todos os locais que marcam devem ser caracterizados por radiografia convencional, TAC e/ou Ressonância Magnética Nuclear, de forma a confirmar o diagnóstico e estabelecer o risco de fractura.

 

Tratamento

Uma metástase óssea traduz, na maioria das vezes, e com muito raras excepções, doença incurável, sendo o seu tratamento paliativo. Baseia-se em duas grandes vertentes: analgesia e estabilização. O tratamento analgésico passa por anti-inflamatórios não esteróides, corticosteróides e analgésicos potentes, como a morfina. Os tratamentos que diminuem a reabsorção óssea, como os bifosfonatos em alta dose endovenosos, também têm efeito analgésico. Por fim, para a dor intratável podemos considerar a radioterapia local. Em doenças específicas como o tumor da mama, a hormonoterapia pode evitar a progressão da doença óssea, controlar a doença local e diminuir a dor e fracturas a longo prazo. O tratamento de estabilização é essencialmente a estabilização de fracturas ou o reconhecimento de ossos com esse risco que traduzam grande morbilidade, como as vértebras, cuja fractura pode levar à paralisação de um doente. A estabilização pode ser cirúrgica, com colocação de materiais protésicos, e pode incluir uma combinação com radioterapia e bifosfonatos. Mais uma vez, é necessária uma equipa multidisciplinar que inclua especialistas da dor crónica, ortopedistas, oncologistas e fisiatras.

 

 

 

 

 
 

Article by:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 10-Oct-2000

Reviewed by:

Dr. António Marinho - Internista - 21-Jun-2009



Partilhar: