Mama: descargas mamilares

Article by:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 04-Abr-2001

  |  Partilhar:

Descargas (secreções) mamilares espontâneas através de um canal glandular mamário constituem o 2º mais comum sinal de cancro da mama, a seguir à detecção de uma massa ou nódulo mamário. As descargas mamilares desenvolvem-se em aproximadamente 3% das mulheres e 20% dos homens com cancro da mama, mas são uma manifestação de doença benigna em 90% dos doentes. Descargas mamilares em doentes acima dos 50 anos de idade, no entanto, são mais frequentemente associadas a doença maligna do que a causas benignas.

 

O carácter das descargas mamilares é muito útil no estabelecimento de um diagnóstico. Sumariamente, as chances de cancro da mama em função do tipo de descarga mamilar são as seguintes: Descarga leitosa (frequência 1%) Risco de cancro negligível Descarga purulenta (frequência 5%) Risco de cancro negligível Descarga multicolorida (frequência 10%) Risco de cancro negligível Descarga serosa (frequência 35%) Risco de cancro :5% Descarga serosanguinolenta (frequência 30%) Risco de cancro :15% Descarga sanguinolenta (frequência 25%) Risco de cancro :20% Descarga aquosa (frequência 5%) Risco de cancro :50% Embora cada caso deva ser analisado individualmente, há algumas regras de actuação que são úteis: a. Descargas tratadas medicamente. Descargas leitosas representam galactorreia, descargas purulentas são devidas a infecção, e descargas multicoloridas e espessas representam ectasias dos canais glandulares (duct ectasia).

 

Estes tipos de descargas só raramente estão associadas ao cancro da mama. Ectasias mamárias produzem sensação de queimor, prurido ou dor associadas a inchaços subareolares tortuosos ou tubulares. b. Descargas tratadas cirúrgicamente Descargas serosas, serosanguinolentas, sanguinolentas ou aquosas podem ser devidas a papilomas intraductais (geralmente caracterizados por descarga mamilar sem massas palpáveis), quistos ou cancro. Uma exploração cirúrgica é imperativa. A presença de um nódulo palpável aumenta ignificativamente as chances de cancro da mama.

 

Uma biópsia da massa ou nódulo é necessária. Se se confirmar o diagnóstico de cancro da mama, o tratamento segue os mesmos protocolos da terapêutica do cancro da mama não associado a descarga mamilar, e o doente deve ser referido a um departamento de Oncologia. Quando uma massa não é palpável, exames auxiliares de diagnóstico como a mamografia ou a ultrasonografia da mama podem ser úteis.Em países como os Estados Unidos, certos Centros Médicos usam a Ressonância Nuclear Magnética (MRI) com resultados promissores, embora se questione a relação custo - eficácia (cost effectiveness). Ocasionalmente, uma descarga mamilar crónica pode estar associada a um cancro da mama sem a presença de uma massa ou nódulo subjacente. O exame citológico do fluido é, em regra, negativo.

 

Nestas circunstâncias, justifica-se a ressecção cirúrgica dos canais glandulares areolares. Se o exame histológico confirma a presença de cancro, o passo seguinte é a realização de uma mastectomia, associada ou não a outras modalidades terapêuticas como a quimioterapia ou hormonoterapia adjuvantes. A regra fundamental a considerar nestas situações é, pois, a seguinte: a presença de descargas mamilares serosas, serosanguinolentas, sanguinolentas ou aquosas deve ser investigada até se confirmar ou excluir a presença de cancro da mama. Assim, será possível a detecção precoce de alguns carcinomas da mama, com a consequente elevada probabilidade de cura.

 

Article by:

Dr. António Fontelonga - Internista, Oncologista e Hematologista - 04-Abr-2001



Partilhar: