Adenoma hepático

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Dr. José Davide - Cirurgião geral - 2-Mar-2009

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O que é?

O adenoma hepático é um tumor benigno raro do fígado. Existem dois tipos identificados, distinguidos pela sua origem no canal biliar ou na célula hepática. Os primeiros são geralmente inferiores a 1 cm e não têm interesse clínico. Os de origem hepática (adenomas hepatocelulares) têm relevância clínica e o seu tamanho varia, em média, entre 8 e 15 cm. Aproximadamente 80% são solitários e 12 a 30%, múltiplos. Adenomatose refere-se à presença de mais de 10 adenomas hepáticos. Embora sejam lesões benignas, podem sofrer hemorragia, rotura e transformação maligna para carcinoma hepatocelular. O risco exacto de malignidade é desconhecido.

 

Epidemiologia

Embora possam ser idiopáticos, cerca de 90% das lesões desenvolvem-se em mulheres entre a 3.ª e a 5.ª décadas de vida, associado ao uso de contraceptivos orais. Nestas, a incidência é de, aproximadamente, 4/100 000 casos. Em mulheres que não tomem pílula ou a tomem por período inferior a dois anos, a incidência reduz-se para um caso por milhão. A adenomatose constitui uma entidade distinta, não relacionada com a exposição hormonal e afectando igualmente homens e mulheres.

 

Factores de risco

Os principais factores de risco implicados na génese do adenoma hepático são os contraceptivos orais. Outros factores apontados para uma maior incidência são o uso de esteróides androgénicos, diabetes, doenças de armazenamento do glicogénio, galactosemia, hemocromatose, acromegalia e esteatose hepática. A gravidez foi associada a agravamento da sintomatologia e a aumento do risco de complicações.

 

Sinais e sintomas

Geralmente assintomáticos, são descobertos acidentalmente durante a realização de exames ou aquando de intervenções cirúrgicas. À medida que as dimensões das lesões aumentam, pode ocorrer dor no hipocôndrio direito, e as mesmas podem ser palpáveis sob a forma de tumefacção individualizável ou hepatomegalia. Em casos raros, a rotura pode ocasionar choque hemorrágico.

 

Diagnóstico

Habitualmente, as lesões são detectadas por ecografia, no entanto, os exames de eleição para caracterizar adenomas hepáticos são a tomografia axial computorizada (TAC) e a ressonância magnética nuclear (RMN). Os níveis de transaminases (TGO e TGP) e colestase (fosfatase alcalina e gama-GT) podem estar alterados, podendo, ainda, na análise ao sangue, surgir anemia nos casos em que ocorre hemorragia tumoral. Os níveis de alfa-fetoproteína são úteis para distinguir o adenoma do carcinoma hepatocelular. Níveis elevados de alfa-fetoproteína sugerem carcinoma hepatocelular. Outros exames podem ajudar em casos de diagnóstico diferencial mais difícil: cintigrafia com gálio 67 ou tecnésio 99m, angiografia e tomografia com emissão de positrões. A biopsia é controversa pela dificuldade em fornecer diagnóstico e pelo risco de hemorragia.

 

Tratamento


Face ao risco de hemorragia, rotura e transformação maligna, a cirurgia de ressecção hepática é o tratamento de eleição e pode executar-se por via aberta ou minimamente invasiva (laparoscópica, assistida por laparoscopia ou assistida por mão). Em casos de dúvida diagnóstica, a cirurgia também é a opção. A embolização arterial hepática pode ser um recurso temporário em caso de hemorragia tumoral. A experiência com radiofrequência é limitada. O transplante hepático é uma alternativa nos casos de tumores irressecáveis e em doentes com múltiplos adenomas.
 


 

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Dr. José Davide - Cirurgião geral - 2-Mar-2009



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